JUSTIÇA EXIGIDA
Brasileiros rejeitam redução de penas para atos de 8 de janeiro, aponta Quaest
Pesquisa Genial Investimentos/Quaest mostra 52% contrários à medida, que seria vista como benefício a Jair Bolsonaro; veto presidencial foi derrubado em abril.
A maioria dos brasileiros rejeita a redução das penas aplicadas aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, um sinal claro da demanda por justiça e responsabilização. Conforme a pesquisa Genial Investimentos/Quaest, divulgada nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, 52% da população brasileira se opõe a qualquer diminuição das sentenças, incluindo aquelas destinadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado. Esta posição reflete uma profunda preocupação com a integridade do sistema legal e a preservação da ordem democrática, em um cenário onde a Lei da Dosimetria é percebida por muitos como um instrumento para beneficiar figuras políticas específicas.
Enquanto a maioria se posiciona contra a redução, outros 39% da população manifestaram apoio à diminuição das punições. Uma parcela de 9% dos entrevistados preferiu não se manifestar ou declarou não ter opinião formada sobre o tema.
Os resultados atuais marcam uma mudança expressiva no cenário da opinião pública. Em dezembro de 2025, um levantamento anterior da mesma Genial Investimentos/Quaest apontava para um empate técnico, com 46% dos brasileiros favoráveis à redução das penas e o mesmo percentual de 46% contrários a essa medida. A inversão indica um endurecimento da percepção social em relação aos atos de 8 de janeiro.
A rejeição é particularmente alta entre grupos de eleitores específicos. Para os eleitores de esquerda que não se identificam com o lulismo, o percentual de contrários à redução alcança 77%. Entre aqueles alinhados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a oposição à medida é de 72%. Por outro lado, a defesa da redução das penas é mais forte entre os bolsonaristas, com 73% favoráveis, e na direita não bolsonarista, onde o apoio chega a 67%. No grupo dos eleitores independentes, 58% se posicionam contra a redução das condenações, e 31% a apoiam.
A pesquisa também mergulhou na percepção sobre a Lei da Dosimetria, legislação promulgada após o Congresso derrubar o veto de Luiz Inácio Lula da Silva. Para 54% dos entrevistados, o objetivo principal da proposta foi beneficiar Jair Bolsonaro. Uma parcela de 34% acredita que a lei visou beneficiar todos os envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes, enquanto 12% não souberam opinar.
A derrubada do veto presidencial ocorreu no fim de abril, com uma ampla maioria de 318 deputados e 49 senadores, superando os mínimos necessários de 257 votos na Câmara e 41 no Senado. Com a decisão parlamentar, o texto foi promulgado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e transformado em lei.
O levantamento da Genial Investimentos, realizado entre os dias 8 e 11 de maio, ouviu 2.004 pessoas em diversas regiões do país. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa está devidamente registrada sob o número BR-03598/2026.
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