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Brasil tenta decifrar exigências dos EUA em disputa por tarifas de importação

Representantes do governo americano em reunião.
O órgão de comércio do governo americano, USTR, não detalhou seus pedidos.

A menos de dez dias do prazo para possível tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, governo dos EUA não detalha o que exige para fechar acordo, gerando incerteza e frustração nas negociações.

A menos de dez dias do prazo para a possível aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, as negociações entre Brasil e Estados Unidos enfrentam um impasse incomum. O governo brasileiro afirma não ter clareza sobre o que, de fato, os americanos exigem para destravar um acordo, apurou a âncora da CNN Débora Bergamasco junto a fontes que participam diretamente das conversas. Essa falta de clareza impacta diretamente a previsibilidade e a segurança jurídica para exportadores brasileiros, gerando apreensão sobre o futuro de relações comerciais bilaterais.

Segundo essas fontes, o USTR — órgão de comércio do governo americano — apontou seis temas considerados sensíveis, entre eles o Pix e a produção em áreas desmatadas. No entanto, o órgão não apresentou pedidos específicos, o que dificulta a elaboração de contrapropostas concretas e eficazes.

Diante da ausência de demandas claras por parte americana, o governo brasileiro tem adotado uma postura propositiva nas reuniões. Sucessivamente, o Brasil apresenta possibilidades de mudanças, ajustes e concessões — como alterações em tarifas ou preferências para determinados setores — na esperança de extrair algum posicionamento dos Estados Unidos. Até o momento, porém, nenhuma dessas propostas recebeu resposta formal, frustrando os esforços diplomáticos.

Na última quinta-feira, 2 de julho de 2026, realizou-se mais uma reunião entre representantes dos dois países para tratar do tema. O Brasil apresentou, mais uma vez, uma série de propostas de ajustes. Os Estados Unidos, até o momento da apuração, não se manifestaram sobre o conteúdo oferecido, evidenciando a persistência do impasse.

Integrantes do governo brasileiro avaliam que a investigação conhecida como Seção 301, conduzida pelo USTR, seria, na prática, um instrumento alternativo para viabilizar juridicamente o tarifaço. A interpretação é que, após a Suprema Corte americana ter proibido o modelo de tarifas anunciado anteriormente — que atingiu diversos países com alíquotas diferenciadas, penalizando fortemente o Brasil —, a investigação teria surgido como uma via juridicamente mais sólida para aplicar as mesmas medidas. Essa manobra levanta preocupações sobre a equidade e a transparência dos processos comerciais internacionais.

Além disso, fontes ouvidas indicam que o governo brasileiro acredita que a questão não é de natureza técnica, mas essencialmente política. A avaliação é que as tarifas refletem opções estruturais da gestão americana, como a política do "America First", a estratégia de reindustrialização e o objetivo de aumentar a arrecadação por meio das importações. Essa perspectiva sugere que a resolução do conflito pode exigir mais do que ajustes técnicos, demandando um entendimento das prioridades políticas americanas.

Para a semana, estão previstas duas reuniões. A primeira, em nível técnico, reunirá funcionários dos dois países com o objetivo de tentar obter algum posicionamento americano. A segunda será realizada em nível mais elevado, entre o ministro Márcio Elias Rosa, do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e Jamieson Greer, representante máximo do USTR. Apesar da expectativa de que essas reuniões tragam respostas às propostas brasileiras, o histórico das negociações não alimenta otimismo.

O governo brasileiro não acredita que os Estados Unidos desistam de aplicar as tarifas de 25%, embora reconheça que o prazo do dia 15 de julho de 2026 pode ser suspenso ou adiado. O cenário, por ora, segue indefinido, mantendo o setor produtivo em estado de alerta.

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