DIPLOMACIA EM CRISE

Lula critica Javier Milei após interferência em eventos do PL

Foto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em pronunciamento público.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento do PSB.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como patacoada as declarações de Javier Milei. O governo brasileiro mantém o embaixador Julio Bitelli no Brasil enquanto monitora os desdobramentos da crise.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rechaçou as recentes declarações de Javier Milei, presidente da Argentina, ao classificar a postura do mandatário vizinho como uma patacoada. O posicionamento de Lula ocorreu nesta quarta-feira (29) durante a convenção do PSB, após a participação de Javier Milei na convenção do PL no último sábado (25), evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

Ao abordar o tema, o chefe do Executivo brasileiro afirmou que não pretende trocar ofensas, mantendo sua postura pautada pela liturgia de chefe de Estado. O petista enfatizou que não permitirá interferências externas no processo democrático brasileiro, reafirmando sua soberania frente às críticas feitas pelo líder argentino durante o evento em território nacional.

As falas de Javier Milei, que incluíram ofensas diretas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), além de críticas à condução econômica do Brasil, geraram forte desconforto no Itamaraty e no Palácio do Palácio do Planalto. Em resposta, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se com o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, nesta quarta-feira (29).

A decisão técnica do governo é manter Julio Bitelli em solo brasileiro por tempo indeterminado, monitorando a situação. Embora o retorno do diplomata a Buenos Aires dependa do arrefecimento das tensões, interlocutores indicam que a permanência no Brasil deve durar algumas semanas.

Apesar da crise, uma avaliação interna apontou um tom mais conciliador nas declarações do chanceler argentino, Pablo Quirno, também manifestadas nesta quarta-feira (29). Segundo Pablo Quirno, a Argentina não cogita o rompimento das relações diplomáticas, buscando limitar as divergências ao campo político e ideológico, sem elevar o caso ao nível institucional.

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