ANÁLISE DE MERCADO
Brasil se consolida entre maiores expansores da oferta global de petróleo
Relatório da Opep destaca o país ao lado de Catar, Argentina e Canadá no crescimento da produção fora do grupo "Declaração de Cooperação". Especulações sobre pico dos EUA impulsionam projeções brasileiras.
O Brasil figura entre os principais responsáveis pela expansão da oferta global de petróleo nos próximos anos. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), em seu relatório Perspectivas Mundiais de Petróleo (WOO), divulgado nesta quinta-feira, 18/06/2026, aponta o país ao lado de Catar, Argentina e Canadá como motores do crescimento da produção fora da Declaração de Cooperação (DoC), grupo que reúne integrantes da Opep e aliados.
A entidade projeta que a oferta de líquidos de produtores fora da DoC crescerá cerca de 4,1 milhões de barris por dia (bpd) até 2030, atingindo 58,2 milhões de bpd. Essa expansão será impulsionada principalmente por Brasil, Catar, Argentina e Canadá, além de novos produtores africanos.
A crescente relevância atribuída ao Brasil ocorre em um cenário de revisão das projeções para os Estados Unidos. A Opep reavaliou para baixo o potencial de crescimento da produção americana de petróleo de xisto, considerando que o segmento pode ter atingido seu pico em 2025. Diferentemente do relatório anterior, que previa continuidade da expansão até 2030, a organização agora vê uma redução significativa na contribuição dos Estados Unidos para o crescimento da oferta fora da DoC no médio prazo.
Segundo a Opep, a produção brasileira de líquidos continuará em ascensão com o avanço dos projetos do pré-sal. A oferta de petróleo bruto do país deve saltar de 3,7 milhões de bpd em 2025 para 4,4 milhões de bpd em 2030, com a entrada em operação de novas plataformas e o desenvolvimento de campos em águas ultraprofundas.
As projeções indicam que o Brasil se tornará o segundo maior contribuinte para o aumento da oferta entre os produtores fora da DoC no período de 2025 a 2050. Em um horizonte de longo prazo, a produção brasileira de líquidos deve alcançar um pico de aproximadamente 5,8 milhões de bpd no início da década de 2040, para então recuar moderadamente a 5,6 milhões de bpd em 2050.
O relatório também ressalta a importância crescente da América Latina para o abastecimento global. A região deverá ser responsável por quase 75% do aumento líquido da oferta entre os produtores fora da DoC até 2050, com Brasil e Argentina liderando essa contribuição.
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