DIPLOMACIA E CONFLITOS
Apoio dos EUA a Israel deve diminuir em breve, analisa Gideon Levy
Jornalista israelense aponta que opinião pública americana pressiona por mudanças. Para ele, apenas pressões externas similares ao boicote à África do Sul podem alterar a política de guerra do Estado israelense.
O apoio incondicional dos Estados Unidos a Israel está com os dias contados, impactado pela crescente rejeição da opinião pública norte-americana às operações militares em Gaza. A análise é do renomado jornalista israelense Gideon Levy, que reflete sobre o papel de seu país no cenário geopolítico atual e a urgência de uma mudança de postura externa.
Levy, que se encontra no Brasil para a Flipei (Festa Literária Pirata das Editoras Independentes), é uma das vozes mais críticas em Israel. Autor da obra "O Massacre de Gaza: Relatos de uma Catástrofe", ele argumenta que a estrutura política de seu país não passará por transformações profundas apenas com a eventual saída de Binyamin Netanyahu do governo, prevista para as eleições de outubro.
"A história será muito crítica em relação a ele", afirma o jornalista sobre Netanyahu. Contudo, Levy ressalta que a oposição israelense compartilha de visões semelhantes quanto à ocupação e aos conflitos no Líbano e no Irã. Para o escritor, a crença disseminada após os ataques de 7 de Outubro — de que Israel não possui limites éticos e que não há inocentes em Gaza — consolidou um estado de espírito que perpetua a violência.
Sobre a eficácia de pressões internacionais, o jornalista traça um paralelo histórico necessário: "A única forma é o mundo acordar, exatamente como aconteceu com a África do Sul, quando houve o boicote ao apartheid". Levy admite que, embora medidas desse tipo punam toda a população, a mudança radical exigiria um posicionamento global firme contra o cenário atual.
Quanto ao futuro das relações diplomáticas, Levy pontua que o cenário político nos Estados Unidos caminha para uma alteração drástica. Com a comunidade judaica americana afastando-se do alinhamento cego com Netanyahu, a manutenção da atual política de defesa torna-se insustentável. O jornalista conclui que, sem esse choque externo, Israel dificilmente reavaliará suas ações militares por conta própria.
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