RECUPERAÇÃO CONTIDA

Brasil celebra Dia Nacional da Imunização com melhora nas coberturas, mas metas ainda distantes

Mulher recebendo vacina.
Foto colorida de mulher sendo vacinada.

Apesar do avanço observado desde 2022, apenas três das 16 vacinas essenciais para bebês atingiram os índices ideais em 2024, acendendo alerta para doenças controladas.

Nesta terça-feira, 09 de junho de 2026, o Brasil celebra o Dia Nacional da Imunização com um cenário de recuperação nas coberturas vacinais, após anos de declínio. A decisão de observar essa melhora, que se intensificou a partir de 2022, é motivo de cautela. Embora o país apresente sinais de avanço, a maioria das vacinas oferecidas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) ainda não alcançou os índices considerados ideais pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para garantir a proteção coletiva.

Dados recentes do Ministério da Saúde revelam que, em 2024, apenas três dos dezesseis imunizantes essenciais para bebês atingiram as metas estabelecidas. Entre as vacinas que alcançaram os patamares desejados estão a BCG, fundamental contra formas graves de tuberculose; a vacina contra hepatite B; e a primeira dose da tríplice viral, que previne sarampo, caxumba e rubéola. Essas conquistas, embora importantes para a saúde pública, ainda não representam um cenário de segurança total contra doenças que podem ser evitadas.

Mayra Moura, gerente de farmacovigilância do Instituto Butantan e diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), ressalta a importância dos avanços, mas alerta para a necessidade de vigilância contínua. "Temos muito a comemorar, porque cada conquista é importante. Mas precisamos entender que mesmo quando atingirmos essas metas não podemos baixar a guarda. Sempre seguiremos vacinando, trata-se de uma ação contínua". A fala enfatiza que a imunização é um esforço perene para a preservação da dignidade e do bem-estar da população.

A vacinação é reconhecida mundialmente como uma das estratégias de saúde pública mais eficazes. A OMS estima que os imunizantes foram responsáveis por cerca de 40% da redução da mortalidade infantil global nos últimos cinquenta anos, demonstrando o impacto direto na garantia do direito à vida e a um futuro saudável para as crianças.

Doenças controladas ainda representam riscos

Apesar da tendência de recuperação gradual nas coberturas, especialistas alertam para o risco de reintrodução de doenças já controladas no Brasil quando os índices vacinais permanecem abaixo das metas. A subproteção coletiva deixa parcelas significativas da população vulneráveis, comprometendo anos de esforços de saúde pública.

Um exemplo preocupante é a poliomielite. O país não atinge a meta de 95% de vacinação contra essa doença desde 2016. Em 2025, nenhum estado alcançou esse índice, e até abril de 2026, a cobertura da vacina injetável para menores de um ano estava em 85,16%. "As metas de cobertura são estipuladas para reduzir consideravelmente a incidência de uma doença ou até mesmo eliminá-la. Quando não conseguimos atingir esse índice, uma parte da população ainda fica bastante suscetível. Estamos falando de doenças que se espalham rapidamente", explica Mayra Moura, detalhando o impacto social e de saúde pública.

O sarampo também permanece como um desafio constante. Em março de 2026, um bebê de seis meses contraiu a doença após uma viagem à Bolívia. Como ainda não tinha idade para receber a vacina, a proteção dependia da imunidade coletiva, que não estava garantida devido às baixas coberturas vacinais, evidenciando a fragilidade da proteção comunitária.

Desafios persistentes: HPV e gripe

A vacinação contra o HPV continua a ser um dos maiores desafios do calendário nacional. Indicada para meninos e meninas de 9 a 14 anos, a vacina ainda não atingiu a meta de 90% de cobertura. Em 2026, a cobertura entre meninas estava em 74,14% e entre meninos em 66,14%. Os menores índices são registrados justamente na faixa etária de 9 anos, idade recomendada para o início da imunização, o que impacta a prevenção de doenças futuras.

Outro cenário que gera preocupação é a vacina contra a gripe. Em 2025, a cobertura dos grupos prioritários ficou pouco acima da metade do público-alvo em grande parte do país, deixando milhões de pessoas mais suscetíveis a complicações da doença.

Hesitação vacinal segue como obstáculo

A circulação de informações falsas sobre vacinas, conhecida como hesitação vacinal, permanece como um dos principais obstáculos para a ampliação das coberturas. Mayra Moura reitera a segurança dos imunizantes: "As vacinas estão entre os medicamentos mais seguros que existem. Assim como qualquer produto, no Brasil elas passam por uma avaliação rigorosa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, antes de serem aplicadas na população". Isso assegura a confiança pública no processo.

Ela acrescenta que o monitoramento é contínuo, mesmo após a aprovação. A vigilância acompanha eventuais eventos adversos para garantir que os benefícios da vacinação sempre superem os riscos. "Na maioria das vezes, as vacinas desencadeiam reações leves a moderadas, como dor e vermelhidão no local da aplicação, febre baixa e mal-estar, que duram poucos dias", conclui, reforçando a mínima incidência de efeitos adversos significativos e o compromisso com a saúde individual e coletiva.

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