ACIRRAR DIPLOMACIA
Brasil busca barrar tarifa de 25% dos EUA em audiências decisivas
Indústria e agro argumentam que sobretaxa de Trump prejudicará ambos os países. Decisão final de Washington é esperada para 15 de julho.
A indústria e o agronegócio brasileiros apresentam nesta segunda-feira (06/07/2026) argumentos cruciais nos Estados Unidos para tentar barrar a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos nacionais. As audiências públicas, organizadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), são uma etapa decisiva na investigação comercial americana que pode impactar significativamente a relação econômica bilateral.
A participação brasileira visa convencer o governo americano de que a sobretaxa proposta, baseada na Seção 301 da legislação comercial, prejudicará não apenas exportadores brasileiros, mas também empresas, consumidores e cadeias produtivas dos próprios Estados Unidos. Representantes de entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) integram a delegação.
A estratégia da indústria foca em demonstrar a profunda integração econômica entre os dois países e os custos que a tarifa geraria para empresas americanas. Setores como máquinas e equipamentos, autopeças e alimentos industrializados, com alto valor agregado, são apontados como os mais expostos. Estimativas da CNI indicam que 31,6% das exportações brasileiras para os EUA — 35,2% de toda a pauta exportadora — poderiam ser atingidas pela nova sobretaxa, somadas a outras tarifas já existentes. A defesa brasileira também abordará pontos como propriedade intelectual, tarifas de importação, desmatamento e a relação bilateral, argumentando que as práticas brasileiras não são discriminatórias nem ilegais sob as regras internacionais.
Roberto Azevêdo, membro do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp e ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), enfatiza que a tarifa proposta não tem sentido econômico e pode elevar custos e preços ao consumidor em ambos os países, prejudicando cadeias produtivas. Ele defende a ampliação da negociação e cooperação entre os governos.
A CNI reforça a ausência de justificativas jurídicas, econômicas ou estratégicas para a medida, alertando que a incerteza gerada pela política comercial dos EUA afeta a previsibilidade das exportações brasileiras. A Abimaq solicitará a exclusão do setor de máquinas e equipamentos, destacando que 82% das exportações ocorrem entre empresas do mesmo grupo econômico, evidenciando cadeias produtivas integradas e o alto custo de substituição de fornecedores.
No agronegócio, segmentos como mel, café solúvel e pescados buscam evitar a nova tarifa. A estratégia é demonstrar o potencial impacto no preço ao consumidor e na inflação nos EUA, além de afetar cadeias produtivas americanas. A CNA contesta a associação entre crescimento do agronegócio e desmatamento ilegal, citando ganhos de produtividade e a queda do desmatamento na Amazônia. A entidade defende o fortalecimento da cooperação bilateral e destaca a dependência brasileira de insumos importados dos Estados Unidos.
Equipes técnicas dos governos brasileiro e americano se reunirão ainda nesta semana para preparar a negociação de alto nível antes de 15 de julho, data limite para a decisão de Washington sobre a imposição das tarifas. A decisão final dos Estados Unidos definirá o futuro de importantes fluxos comerciais entre as duas nações.
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