ECONOMIA EM AVALIAÇÃO

Bradesco eleva projeção do PIB para 2026 e prevê inflação e Selic mais altas

Fachada da sede do banco Bradesco na cidade de São Paulo.
Sede do Bradesco em São Paulo.

O banco ajustou as estimativas de crescimento e inflação para 2026 e 2027, apontando para juros básicos maiores no país.

Nesta terça-feira, 30/06/2026, o Bradesco divulgou uma revisão em suas projeções econômicas. O banco elevou a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026, mas reduziu a projeção para o ano seguinte. Além disso, a instituição financeira passou a prever níveis mais altos de inflação e da taxa Selic em ambos os anos, mesmo sinalizando a possibilidade de mais cortes na taxa básica de juros até o fim de 2026.

A previsão para o crescimento do PIB em 2026 subiu de 1,8% para 2%. O Bradesco justifica a revisão pela existência de "fortes estímulos que se contrapõem à política monetária" e pela expectativa de que medidas de estímulo ao crédito promovidas pelo governo possam moderar a desaceleração econômica. Contudo, o banco alerta que "os juros em patamares ainda mais restritivos continuarão levando a expansão do PIB para abaixo do potencial".

Em contrapartida, a projeção de expansão econômica para 2027 foi ajustada para baixo, de 2% para 1,5%. A análise do Bradesco aponta para um "impulso fiscal negativo" e para o efeito do crédito expandido em 2026, que pode resultar em maior comprometimento de renda ou menor geração de caixa no ano seguinte, impactando negativamente o consumo e os investimentos.

O mercado de trabalho também deve apresentar ajustes. A taxa de desemprego, que deve ficar em 5,9% em 2026, é projetada para subir a 6,8% em 2027. Embora ainda seja considerada baixa em comparação com padrões históricos brasileiros, essa elevação tende a contribuir para um alargamento do hiato do produto nos próximos trimestres, afetando a dinâmica econômica.

No que diz respeito à inflação, o Bradesco elevou suas projeções para 2026 e 2027. A estimativa para a alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano passou de 5% para 5,3%, e para o ano que vem, de 3,7% para 4,1%. As razões incluem "os choques vindos da guerra, de preços de alimentos, incluindo aqueles vindos do El Niño, e, em alguma medida, a resiliência do setor de serviços".

Apesar dos choques e da resistência da inflação de serviços, o banco prevê alívio na cadeia de bens industriais com a dissipação do impacto da queda nos preços do petróleo e a ausência do impulso vindo do câmbio, com expectativas de melhora no quarto trimestre. A inflação de núcleos, no entanto, permanece pressionada, mas sem deterioração adicional.

Diante do cenário inflacionário revisado, o Bradesco também ajustou para cima suas estimativas para a taxa Selic. A projeção para o fim de 2026 passou de 12,75% para 13,75%, e para 2027, de 10,25% para 11%. Atualmente, a taxa básica de juros encontra-se em 14,25%.

O banco ressaltou que a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de sinalizar possíveis pausas no ciclo de calibração da Selic também influenciou a revisão. A perspectiva de juros reais elevados, estabilidade cambial e impulsos fiscais e de crédito negativos no próximo ano sugere um quadro de inflação esperada compatível com a convergência, abrindo espaço para cortes na taxa.

Conclui-se que, mesmo com uma Selic projetada em 11% ao final de 2027, resultando em um juro real de cerca de 7,5%, o patamar ainda estará acima do nível considerado neutro para a economia pela instituição e pelo Banco Central na ausência dos estímulos correntes e choques vigentes. Essa análise impacta diretamente a previsibilidade e o planejamento econômico para os próximos anos.

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