JOGO POLÍTICO DIGITAL

Bolsonaristas pressionam Ancelotti por Neymar na Copa

Campanha política de bolsonaristas para a convocação de Neymar à Seleção Brasileira.
Lideranças políticas em campanha por Neymar na Copa.

Campanha intensa de aliados busca desviar atenção da crise de Flávio Bolsonaro, horas antes da convocação da Seleção Brasileira.

Lideranças do PL na Câmara e senadores aliados intensificaram uma campanha nas redes sociais para pressionar o técnico Carlo Ancelotti a convocar Neymar para a Seleção Brasileira da Copa. O movimento, que ocorreu horas antes do anúncio oficial dos jogadores nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, mira desviar o foco de um desgaste no campo bolsonarista, provocado pela crise envolvendo Flávio Bolsonaro. Essa estratégia política, que mistura paixão nacional por futebol com interesses partidários, levanta preocupações sobre a tentativa de influenciar decisões esportivas em meio a escândalos internos.

Entre os políticos que se engajaram na iniciativa, o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), publicou diversas mensagens defendendo a presença do jogador na lista final da Seleção. Um vídeo, gerado com o uso de inteligência artificial, mostra o deputado segurando uma placa com a frase: “Ancelotti ignora Lula e convoca o Neymar”. O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (PSD-MG), também aderiu à mobilização, compartilhando publicações semelhantes em suas redes.

A ofensiva digital se desenrola em um momento delicado para o campo bolsonarista. Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), está no centro de uma controvérsia após o The Intercept Brasil revelar áudios em que ele supostamente pede recursos a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar um filme sobre seu pai. A campanha por Neymar surge, portanto, como uma manobra para abafar as repercussões desse episódio, buscando direcionar a atenção pública para um tema de grande apelo popular.

Diante da repercussão, o ministro do Esporte, Paulo Henrique, posicionou-se nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, à coluna. Ele reiterou a confiança na capacidade de escolha do técnico da Seleção. “Não é papel do governo interferir nisso. Confiamos no técnico da Seleção, que é um dos melhores da história do futebol mundial. O que fazemos, como bons brasileiros apaixonados por futebol, é torcer para que a nossa seleção faça bonito e seja campeã”, afirmou o ministro, demarcando a separação entre a esfera política e as decisões técnicas esportivas.

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