PERIGO ZOONOSE
Biólogo alerta para risco de raiva e Herpes B após mordida de macaco
Segundo especialista, proximidade evolutiva entre humanos e primatas facilita transmissão de vírus letais. Doenças como a raiva podem ter taxa de mortalidade próxima de 100% se não tratadas a tempo.
A suspeita de que a morte da atriz turca Ece Irtem tenha sido causada por uma infecção após mordida de macaco acendeu o alerta sobre os graves perigos de zoonoses transmitidas por primatas. Segundo o biólogo Fabiano Soares, a proximidade evolutiva entre macacos e humanos facilita a circulação de microrganismos letais através da saliva ou arranhões.
Diante do risco de transmissão de doenças como a raiva e o vírus Herpes B, médicos recomendam que qualquer pessoa ferida por um animal silvestre busque atendimento médico hospitalar imediato para receber o protocolo preventivo. Os sintomas podem demorar meses para aparecer e, quando surgem, a taxa de mortalidade é próxima de 100%.
Entenda os riscos

Segundo o biólogo, a gravidade do ferimento inicial nem sempre reflete o perigo real da contaminação, pois um arranhão superficial é suficiente para inocular vírus e bactérias profundamente nos tecidos humanos.
“Entre as maiores ameaças está a raiva, que ataca o sistema nervoso central de forma silenciosa e causa sintomas neurológicos irreversíveis, como confusão mental e paralisia, após um longo período de incubação.”
Além disso, a cavidade oral dos macacos abriga bactérias que provocam infecções locais graves, abscessos e celulites que podem evoluir rapidamente para um quadro de sepse (infecção generalizada) e falência de órgãos.
O especialista ressalta que os macacos não são animais naturalmente agressivos e os acidentes ocorrem quase exclusivamente pela conduta humana inadequada.
“O hábito de turistas e moradores de tentar alimentar, tocar ou se aproximar dos primatas para tirar fotografias faz com que os animais reajam por medo, estresse ou defesa de seu território”, explica. A invasão desse espaço silvestre é o principal gatilho para os ataques, transformando uma interação recreativa em um caso de emergência médica.

Para evitar riscos de morte e garantir a preservação ambiental, Fabiano reforça que o isolamento e o respeito à fauna são as melhores defesas.
A orientação padrão para a população é observar os animais apenas à distância, nunca tentar domesticá-los em ambientes públicos e jamais oferecer alimentos.
“Manter o distanciamento correto protege a saúde pública contra vírus incuráveis e assegura que os primatas continuem desempenhando seu papel ecológico fundamental nas florestas e matas”, conclui o biólogo.
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