DECISÃO CRIA POLÊMICA

Big Techs criticam decretos de Lula sobre Marco Civil da Internet após decisão do STF

Presidente Lula em cerimônia de assinatura de decretos.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina decretos sobre Marco Civil da Internet.

Associações representativas do setor digital expressam preocupação com a edição de decretos presidenciais sobre o Marco Civil da Internet, alertando para possíveis impactos na liberdade de expressão e atividade econômica.

Em nota divulgada nesta terça-feira, 26/05/2026, a ALAI (Associação Latino-Americana de Internet), a Câmara Brasileira da Economia Digital e o Conselho Digital do Brasil manifestaram sua apreensão com a edição de decretos presidenciais sobre o Marco Civil da Internet. A iniciativa parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O comunicado surge em um momento de grande expectativa, pois o STF (Supremo Tribunal Federal) agendou para esta semana o julgamento de recursos apresentados por empresas de tecnologia. Essas empresas contestam uma decisão da Corte que ampliou a responsabilização das plataformas digitais por conteúdos ilícitos publicados por usuários. A tese fundamental foi estabelecida no ano passado, durante o julgamento da constitucionalidade do Marco Civil da Internet.

Grandes nomes da tecnologia, como Google e Meta, integram a ALAI. A associação também conta com a participação de empresas como Amazon, Mercado Livre e Tik Tok.

Os signatários da nota argumentam que as mudanças em discussão não seguiram o trâmite legislativo usual no Congresso Nacional antes de serem formalizadas por meio de decretos do Poder Executivo. As críticas foram motivadas pela interpretação firmada pelo STF sobre a constitucionalidade do Artigo 19 do Marco Civil.

"A inquietação principal, contudo, recai sobre o mérito dos parâmetros que foram adotados. As regras em debate tocam temas de alta sensibilidade – entre eles a liberdade de expressão, a atividade econômica, o comércio digital e a responsabilidade dos provedores – e demandam reflexão aprofundada antes de se transformarem em comandos regulatórios", alertam as entidades na comunicação.

O julgamento do recurso é relevante, pois antes da decisão do STF, a responsabilização jurídica das plataformas digitais ocorria somente em caso de descumprimento de ordem judicial para a remoção de conteúdo. Com a nova interpretação, o escopo de responsabilidade das Big Techs sobre o material postado por usuários se expande. Prevê-se a necessidade de criação de diretrizes para coibir a circulação de conteúdos relacionados a crimes graves, a proteção de mulheres no ambiente digital e a disseminação de materiais criminosos.

Adicionalmente, o texto normatiza o dever de cuidado das plataformas com conteúdos ilícitos graves, como atos antidemocráticos ou crimes sexuais. Estabelece ainda a exigência de um canal permanente e acessível para que usuários possam denunciar condutas irregulares.

Na época da decisão original, em junho de 2025, o então presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, assegurou que a Corte Suprema não estava legislando sobre o tema, nem usurpando a prerrogativa do Poder Legislativo. A própria manifestação do STF, inclusive, sugere a elaboração de uma legislação específica pelo Congresso Nacional.

"Apela-se ao Congresso Nacional para que seja elaborada legislação capaz de sanar as deficiências do atual regime quanto à proteção de direitos fundamentais.", conclui a nota.

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