ESTRATÉGIA DE PODER
Centrão calcula influência no Congresso entre Flávio e Lula
Partidos articulam neutralidade nacional enquanto projetam ganhos parlamentares. O cálculo visa garantir protagonismo no governo a partir de 2027.
Os partidos que compõem o Centrão definiram a adoção de uma postura de neutralidade estratégica em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), ao mesmo tempo em que buscam preservar canais de interlocução com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa movimentação, consolidada por siglas como União Brasil, PP, Republicanos e MDB, fundamenta-se na busca por maximizar o poder de negociação legislativa no próximo Congresso, independentemente de quem ocupe a Presidência em 2027.
A definição sobre o distanciamento formal de Flávio Bolsonaro ocorreu antes mesmo das convenções partidárias, revelando uma estratégia focada na manutenção de recursos para as eleições estaduais e na preservação de autonomia. Segundo levantamento recente, a União Progressista — bloco formado por União Brasil e PP — optou pela neutralidade nacional, embora mantenha coligações regionais diversas: em 10 estados com o PL e em quatro com o PT ou a Federação Brasil da Esperança.
O interesse do Centrão nesta composição legislativa deriva da experiência vivida por Lula em 2023. Ao retornar ao Planalto, o petista enfrentou dificuldades para consolidar uma base estável, sendo forçado a negociar atribuições de ministérios, como Meio Ambiente e Povos Indígenas, para garantir a aprovação de medidas provisórias cruciais, como a que reorganizou a Esplanada.
Se o PL, sob a liderança de Flávio Bolsonaro, alcançar a expectativa de ampliar sua bancada e consolidar um bloco de direita robusto no Senado, a dinâmica de poder pode sofrer alterações. Embora a necessidade de alianças persista, um governo sustentado por um grupo mais numeroso reduziria a dependência em relação aos partidos de centro, deslocando o peso de relatorias e presidências de comissões.
O cenário político ganhou novos contornos em junho, quando o caso envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro afetou as articulações. O episódio gerou desgaste, culminando em busca e apreensão contra Ciro Nogueira (PP-PI), determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O senador nega qualquer irregularidade nas investigações.
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