ESCÂNDALO FINANCEIRO

Banco Master ataca BC com influenciadores após veto

Daniel Vorcaro, do Banco Master, em imagem ilustrativa sobre o esquema de influência.
Imagem ilustrativa de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Documentos revelam R$ 8 milhões em contratos para campanha contra o Banco Central e ex-diretor Renato Gomes. Polícia Federal investiga 40 perfis.

Daniel Vorcaro, do Banco Master, em imagem ilustrativa sobre o esquema de influência.

Documentos sigilosos do "Projeto DV" revelaram que Daniel Vorcaro, líder do Banco Master, decidiu orquestrar uma campanha de ataques contra o Banco Central e o ex-diretor Renato Gomes. A ação, exposta nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, pela Folha de São Paulo, ocorreu como retaliação direta ao veto imposto pelo BC à aquisição do Banco Master pelo BRB, atingindo Gomes por sua atuação na recomendação contrária. Este esquema de manipulação, que envolveu influenciadores digitais e contratos milionários, levanta sérias preocupações sobre a integridade do mercado financeiro e a liberdade de imprensa, marcando uma tentativa de minar a credibilidade de órgãos reguladores e figuras públicas.

A investigação da Polícia Federal, iniciada em janeiro de 2026, desvendou a operação gerenciada pela agência Mithi, do publicitário Thiago Miranda. Cerca de 40 perfis foram identificados no esquema. Os contratos, que somavam aproximadamente R$ 8 milhões, foram em sua maioria interrompidos após a PF começar a apurar o caso.

As evidências indicam que o Banco Central tornou-se alvo principal após rejeitar a compra do Master pelo BRB. Renato Gomes, responsável pela área que recomendou o veto, foi o foco primário das publicações encomendadas, enfrentando ataques direcionados à sua imagem e credibilidade profissional.

Detalhes dos documentos mostram uma organização meticulosa, com títulos, textos, fotos e roteiros predefinidos para cada perfil contratado. As orientações eram ajustadas ao estilo individual de cada influenciador, e muitos seguiram as instruções sem alterações, demonstrando a rigidez da estratégia de comunicação.

Entre os envolvidos, o portal GPS Brasília assinou um contrato de R$ 100 mil mensais por um ano e publicou textos críticos a Gomes em dezembro de 2025 e janeiro de 2026. O editor do portal, contudo, afirma que o acordo foi rescindido apenas dez dias após a assinatura devido a "incompatibilidade editorial".

O jornalista Luiz Bacci, com expressivos 24,3 milhões de seguidores, possuía um contrato de R$ 500 mil mensais por seis meses, prevendo 30 postagens mensais. Bacci confirmou sua relação comercial com a Mithi, mas optou por não fornecer detalhes sobre o caso. Outros perfis notáveis incluem Cardoso Mundo, que recebeu R$ 200 mil, e Marcelo Rennó, com R$ 78,4 mil. As postagens relacionadas ao tema no perfil de Cardoso Mundo foram deletadas logo após a divulgação pública do esquema.

Thiago Miranda, que repassou R$ 3,5 milhões após receber a mesma quantia de uma empresa ligada a Vorcaro, prestará depoimento à Polícia Federal nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, para esclarecer sua participação. Até o momento, as defesas de Daniel Vorcaro e Thiago Miranda não se manifestaram publicamente sobre as acusações.

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