CRIME FINANCEIRO

Banco Digimais, de Edir Macedo, oculta prejuízos milionários

Banco Digimais, de Edir Macedo, oculta prejuízos milionários

Instituição transfere carteiras podres e vende precatórios à própria holding em manobra para limpar balanço, revela Estadão. Decisão afeta transparência e confiança no mercado.

Uma manobra financeira questionável do Banco Digimais, propriedade do bispo Edir Macedo, veio à tona nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, revelando a transferência de carteiras de financiamento com alta inadimplência e a venda de precatórios à própria holding. A decisão, tomada em meio a uma crise que já dura quase um ano e com o banco à venda, buscou disfarçar prejuízos multimilionários, levantando sérias preocupações sobre a transparência do mercado financeiro e a proteção de investidores e correntistas da instituição.

Documentos obtidos pelo Estadão e analisados por especialistas detalham como o banco utilizou fundos de investimento para “limpar” seu balanço, removendo perdas consideráveis de suas demonstrações financeiras. Além das carteiras de crédito com alta taxa de inadimplência, o Digimais vendeu precatórios, títulos que estão distantes de serem pagos, diretamente à holding de Edir Macedo. Essa estratégia levanta questionamentos sobre a real saúde financeira da instituição, que está no mercado há quase um ano buscando um comprador.

Desconhecido do grande público por não possuir agências físicas, o Digimais, que operou como Banco Renner até 2020, concentra sua atuação principalmente no financiamento de veículos usados e no crédito consignado. Fontes do setor financeiro indicam que a instituição tem como prática financiar carros mais antigos com juros elevados, inclusive para clientes já endividados, o que contribui para o aumento dos riscos de calote. Procurado pela reportagem, o Banco Digimais não se manifestou sobre as acusações.

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