ALERTA FISCAL
Banco Central: Contas públicas registram déficit de R$ 56,1 bilhões em maio, e dívida atinge maior nível em cinco anos
Déficit primário em maio foi de R$ 56,1 bilhões. Dívida bruta do setor público consolidado subiu para 81,1% do PIB, o maior patamar em cinco anos.
A decisão sobre as contas públicas do Brasil em maio de 2026 revelou um cenário desafiador para a economia. O Banco Central (BC) informou, nesta terça-feira, 30/06/2026, que o setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 56,1 bilhões naquele mês. Essa situação importa porque um déficit primário ocorre quando as receitas provenientes de tributos e impostos são inferiores às despesas do governo, indicando uma pressão sobre as finanças públicas. A fragilidade nas contas afeta a credibilidade econômica do país e a confiança dos investidores. O resultado de maio de 2026 representa uma piora significativa em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando o saldo negativo foi de R$ 33,7 bilhões. A deterioração se espalhou por diferentes esferas governamentais: o governo federal apresentou um déficit de R$ 55,2 bilhões, enquanto estados e municípios registraram um saldo deficitário conjunto de R$ 1,2 bilhão. Empresas estatais conseguiram um superávit de R$ 273 milhões, mas insuficiente para compensar os demais resultados. No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, o déficit primário atingiu R$ 24,9 bilhões, o equivalente a 0,45% do Produto Interno Bruto (PIB). Este desempenho contrasta fortemente com o mesmo período de 2025, quando as contas públicas apresentaram um superávit de R$ 69,1 bilhões (1,34% do PIB). A Secretaria do Tesouro Nacional atribui parte dessa piora à antecipação no pagamento de precatórios neste ano. O governo federal, isoladamente, teve um déficit de R$ 46,1 bilhões na parcial de 2026, revertendo um superávit de R$ 31,2 bilhões registrado nos cinco primeiros meses de 2025. A meta fiscal para 2026 prevê um déficit negativo de 0,25% do PIB, aproximadamente R$ 34,3 bilhões. Contudo, o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, permite uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para a meta central, além de prever a exclusão de R$ 63,5 bilhões em despesas do cálculo, como pagamentos de precatórios. Mesmo com essas flexibilizações, a trajetória das contas públicas levanta preocupações. Quando se consideram os juros da dívida pública — o resultado nominal —, o déficit das contas do setor público em maio de 2026 alcançou R$ 163,7 bilhões. A situação se agrava em uma perspectiva de longo prazo: em 12 meses até maio de 2026, o resultado negativo somou R$ 1,26 trilhão, o que representa 9,62% do PIB. Esse indicador é crucial para as agências de classificação de risco e para a percepção de investidores sobre a saúde financeira do Brasil. A dívida pública consolidada, influenciada pelo déficit de maio, subiu 0,9 ponto percentual, totalizando 81,1% do PIB, o equivalente a R$ 10,62 trilhões. Este é o maior nível registrado desde maio de 2021, quando a dívida alcançou 81,4% do PIB. Durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em pouco mais de três anos, a dívida pública já avançou 9,4 pontos percentuais, impulsionada pelo aumento de gastos e despesas com juros. Na comparação internacional, o endividamento brasileiro, segundo o conceito do Fundo Monetário Internacional (FMI) — que inclui títulos públicos na carteira do BC —, atingiu 94,3% do PIB em maio de 2026. Essa proporção é superior à de nações emergentes e países da América do Sul, e também à média da Zona do Euro. Especialistas projetam que a dívida pública brasileira possa chegar a 100% do PIB em 2035, pelo conceito brasileiro, e acima de 110% do PIB pelo conceito do FMI. O arcabouço fiscal de 2023 visa conter o crescimento da dívida, limitando o aumento de despesas ao crescimento da arrecadação em 70% e a uma alta real de 2,5% ao ano. No entanto, a ausência de cortes robustos de despesas leva especialistas a preverem que a regra fiscal possa necessitar de alterações futuras, o que pode pressionar ainda mais a dívida pública e elevar os custos de crédito para a economia real.
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