CRESCIMENTO EM RISCO
Banco Central aponta desaceleração do PIB acima do previsto
Queda de 0,7% no IBC-Br em março surpreende; mercado já eleva projeção da Selic para 13,25%. O cenário global agrava a incerteza econômica para o Brasil.
A economia brasileira mostrou um sinal de desaceleração mais acentuado do que o esperado, impactando diretamente o futuro financeiro de milhões. O Banco Central divulgou, nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, que a "prévia do PIB", mensurada pelo Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), recuou 0,7% em março, superando as projeções de queda do mercado. Este resultado, puxado principalmente pelo setor de serviços, levanta preocupações sobre a capacidade de controle da inflação e o cenário de juros, afetando diretamente o poder de compra e as decisões de investimento das famílias e empresas.
O IBC-Br, um indicador considerado um termômetro precoce para o Produto Interno Bruto (PIB) do país, apresentou variações negativas em todos os setores em março: -0,2% na agropecuária, -0,2% na indústria e um recuo mais significativo de -0,8% em serviços. A queda total foi superior à expectativa do mercado financeiro, que projetava uma baixa entre 0,25% e 0,40%.
Pablo Spyer, conselheiro da Associação Nacional das Corretoras (Ancord), destaca que a retração do setor de serviços foi o principal motor dessa desaceleração. “Este segmento, que responde por cerca de 70% da atividade econômica do país, exerce um peso considerável no resultado final”, explica Spyer. Ele pondera que, apesar do dado negativo de março, o acumulado do trimestre ainda aponta um avanço superior a 1%, sugerindo que o Brasil, embora em marcha mais lenta, continua a crescer.
Spyer aponta uma leitura complexa dos números. “Uma atividade econômica mais fraca poderia, em tese, diminuir a pressão inflacionária e abrir caminho para a redução das taxas de juros no futuro”, comenta. Contudo, ele observa que o Boletim Focus, uma pesquisa de mercado do Banco Central, trouxe uma leve piora nas expectativas de inflação e elevou a projeção da Selic, a taxa básica de juros, para 13,25% ao final deste ano. “Isso revela que o mercado permanece cético quanto à eficácia do Banco Central em conduzir a inflação para a meta estabelecida”, conclui o conselheiro.
Em resumo, a economia sinaliza uma desaceleração, mas a inflação persiste como um desafio. “Esse cenário impõe cautela ao Banco Central e solidifica a perspectiva de manutenção de juros elevados por um período mais prolongado, impactando diretamente o custo do crédito e o planejamento financeiro de todos os brasileiros”, enfatiza Spyer.
Cautela em meio a incertezas globais
Yihao Lin, da Genial Investimentos, reforça que os dados divulgados pelo BC indicam uma perda de fôlego ampla, atingindo diversos segmentos analisados. Ele nota uma divergência em relação a leituras setoriais mais recentes, publicadas pelo IBGE em março de 2026, que mostravam um quadro mais misto.
“O desempenho menos robusto observado em março acentua a necessidade de prudência daqui para frente, especialmente em face de um panorama macroeconômico mais adverso, influenciado pelo impasse no Oriente Médio”, analisa Lin. “Nesse contexto, compreendemos que os dados atuais estão em linha com nossa previsão de um arrefecimento gradual da economia nos próximos trimestres, o que se traduz em menos oportunidades e um ambiente de negócios mais desafiador para a população.”
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