JUSTIÇA DECIDE

Bancário acusado de atropelar e matar pagodeiro Adalto Mello irá a júri popular

Foto dividida com Adalto Mello e Thiago Arruda Campos Rosas, envolvidos em acidente fatal em São Vicente, SP
Adalto Mello, de 39 anos, (à esquerda) e Thiago Arruda Campos Rosas, de 32, (à direita) — Foto: Redes Sociais

Decisão do juiz Alexandre Torres de Aguiar, da 1ª Vara Criminal de São Vicente, pronuncia Thiago Arruda Campos Rosas para júri. Ele aguardará julgamento em liberdade.

O juiz Alexandre Torres de Aguiar, da 1ª Vara Criminal de São Vicente, decidiu nesta terça-feira, 19 de maio de 2026, que o bancário Thiago Arruda Campos Rosas enfrentará o Tribunal do Júri pela morte do cantor de pagode Adalto Mello. O músico foi atropelado fatalmente enquanto Thiago dirigia embriagado. Esta decisão, que aponta para um julgamento por homicídio qualificado, é um passo crucial na busca por justiça e representa um momento significativo para as famílias afetadas, que aguardam por uma resolução.

Apesar da pronúncia para júri popular, Thiago Arruda Campos Rosas aguardará o julgamento em liberdade, conforme determinado pela sentença obtida pelo g1 na terça-feira (19). Ele está solto desde maio de 2025, quando uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares. O bancário havia sido preso em dezembro de 2024, após o trágico acidente que vitimou o cantor que pilotava uma motocicleta.

A decisão da Justiça

Em sua deliberação, o juiz Alexandre Torres de Aguiar identificou indícios robustos de autoria e materialidade que justificam o envio do caso ao Tribunal do Júri. A data para o julgamento ainda não foi agendada. O magistrado destacou a gravidade das escolhas do réu, afirmando na sentença: "Conscientemente, ingeriu bebidas alcoólicas. Mesmo assim, posteriormente, decidiu, de forma voluntária, dirigir veículo automotor. Conduziu o veículo durante a noite, período, evidentemente, que apresenta condições de visibilidade diminuídas em relação ao dia".

Torres Aguiar enfatizou que o bancário optou por "caminhos com características potencialmente mais perigosas" e que "há elementos indicativos de que imprimiu velocidade incompatível para o local que trafegava ou, ao menos, incompatível com a velocidade mantida pelos demais veículos. Perdeu o controle do veículo diante de todos esses fatores, causando o evento morte", concluiu o juiz, reforçando a responsabilidade do condutor no desfecho fatal.

O acidente que chocou São Vicente

As imagens de câmeras de monitoramento do local, amplamente divulgadas nas redes sociais à época dos fatos, registraram o momento impactante do acidente sob diferentes ângulos. O vídeo mostra o veículo do motorista ultrapassando outro automóvel instantes antes de atingir Adalto Mello, que foi arremessado com a força do impacto. Policiais militares foram imediatamente acionados para a ocorrência, encontrando um carro colidido contra uma árvore e a motocicleta da vítima caída na via.

Segundo relatos do Corpo de Bombeiros, uma equipe de resgate chegou ao local e prestou auxílio aos profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que já realizavam manobras de ressuscitação em Adalto. No entanto, infelizmente, a morte do cantor, de 39 anos, foi confirmada ainda no local do acidente.

Embriaguez ao volante e as leis de trânsito

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece limites claros para o consumo de álcool por condutores. Enquanto valores até 0,04 mg/L no bafômetro não geram penalização criminal, acima desse patamar, o motorista é passível de sanções administrativas, incluindo multa pesada e suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) por 12 meses. O caso de Thiago Arruda Campos Rosas é ainda mais grave: o teste do bafômetro registrou 0,82 mg/L, um valor muito superior aos 0,34 mg/L que determinam a abertura de um processo criminal. Nestes casos, a pena varia de seis meses a três anos de prisão, além de multa e suspensão ou cassação definitiva da CNH.

Laudo pericial aponta velocidade incompatível

Um laudo do Instituto de Criminalística (IC) reforça as acusações, apontando que o bancário dirigia em velocidade incompatível com o limite da via no momento do atropelamento. O documento, elaborado a partir de vestígios e evidências colhidas no local do acidente – como a presença de lombada, a orientação e intensidade dos danos veiculares e as distâncias entre os vestígios – sustentou a hipótese de alta velocidade. Apesar de não ter sido possível determinar a velocidade exata, o IC concluiu que ela era inadequada para a via, cujo limite era de 50 km/h.

Quem era Adalto Mello?

Adalto Mello, de 39 anos, não era apenas um cantor de pagode; ele também era compositor e formado em Educação Física. O músico, divorciado, morava com a mãe em Santos (SP) e deixou um filho menor de idade, fruto de seu antigo casamento. Sua paixão pela música nasceu na infância, quando aprendeu a tocar cavaco inspirado pelo pai e, antes dos 15 anos, já cantava e compunha em um coral de igreja. Segundo sua mãe, Carla Vanessa De Mello Almeida, o sonho de Adalto era viver da música – não pela fama ou dinheiro, mas pelo amor genuíno que dedicava à arte. Ela expressou imenso orgulho pelo talento do filho, cuja vida foi abruptamente interrompida.

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