ALTA DO COMBUSTÍVEL
Azul intensifica cortes de voos devido à alta do combustível de aviação
Companhia aérea busca proteger seu caixa em cenário de custos elevados e incertezas geopolíticas. Reduções de capacidade focam em rotas internacionais e frequências domésticas.
A companhia aérea Azul decidiu intensificar os cortes em sua capacidade de voos. A medida, anunciada nesta sexta-feira, 06/06/2026, pelo presidente-executivo John Rodgerson, visa proteger o caixa da empresa diante da elevação contínua nos preços do combustível de aviação e da incerteza gerada pela guerra no Irã. Essa decisão é crucial para a sustentabilidade financeira da Azul em um mercado volátil, impactando diretamente a oferta de passagens e as rotas disponíveis para os passageiros.
Rodgerson explicou à Reuters que a estratégia de reduzir a capacidade operacional é uma resposta conjunta das maiores empresas do setor para otimizar a operação frente a custos mais elevados. A Azul, segundo ele, seguirá essa tendência, aprofundando cortes que já haviam sido implementados antes, com a continuidade do conflito no Oriente Médio.
'Quando fizemos nossos cortes iniciais, pensávamos que a guerra já teria terminado', admitiu o executivo em entrevista concedida na sexta-feira, em preparação para um encontro de líderes de companhias aéreas globais no Rio de Janeiro. 'Mas ela [a guerra no Irã] continua, então vamos continuar a cortar algumas frequências de forma oportunista, certificando-nos de que estamos voando apenas coisas que fazem sentido', acrescentou Rodgerson.

As reduções na oferta de voos pela Azul durante o segundo trimestre foram predominantemente em rotas internacionais. Ajustes adicionais foram focados em frequências domésticas, sem a exclusão completa de cidades do mapa de operações. A prioridade da companhia reside em seus principais hubs: Campinas, Belo Horizonte e Recife.
'Você voa para Curitiba seis vezes por dia? Talvez, com esses preços de combustível, devessem ser quatro', exemplificou o CEO. Ele detalhou que a companhia aérea está empenhada em otimizar a utilização das aeronaves, evitando operações extensas quando os custos de combustível dobram. A possibilidade de remover cidades do portfólio de rotas está em constante avaliação, mas a prioridade inicial é o ajuste de frequências.
Segundo Rodgerson, a Azul encontra-se em uma posição financeira mais robusta em comparação a outras companhias aéreas, graças a uma reestruturação de dívida bem-sucedida. A empresa concluiu o processo de recuperação judicial (Capítulo 11) em fevereiro, com o suporte da United Airlines e da American Airlines. Essa solidez patrimonial confere à Azul maior capacidade de adaptação às flutuações do mercado.
A expectativa da Azul é de que as pressões sobre os preços do combustível persistam no segundo trimestre, período sazonalmente mais fraco. No entanto, a companhia vislumbra a possibilidade de sustentar tarifas mais elevadas à medida que a demanda tende a se fortalecer nos terceiro e quarto trimestres do ano.
Em um esforço para mitigar os impactos no setor, o governo prorrogou os subsídios para o querosene de aviação no final de maio. Este insumo representa aproximadamente 45% do custo operacional das companhias aéreas, conforme dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Posteriormente, em 1º de junho, a Petrobras anunciou uma redução de 14,2% no preço médio de venda do QAV para distribuidoras, uma diminuição de R$ 0,93 por litro em comparação ao mês anterior.
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