EQUIDADE NO AR

Presença feminina nas cabines de comando: o cenário das pilotas no Brasil

Cabine de comando de aeronave representada por imagem ilustrativa.
Mulheres representam 3,76% dos pilotos brasileiros e 235 trabalham nas 3 maiores companhias aéreas do país.

Com 235 mulheres pilotas nas três maiores companhias do país, setor busca ampliar representatividade feminina diante de barreiras históricas e financeiras.

O setor aéreo brasileiro conta atualmente com 235 mulheres pilotos atuando nas três principais companhias do país: Azul, Gol e Latam Brasil. A presença feminina, embora em ascensão, reflete desafios estruturais de uma carreira que exige alto investimento financeiro e uma rotina intensa, questões que impactam diretamente a permanência dessas profissionais no mercado.

A consolidação desses dados, realizada até 12/07/2026, mostra que a participação das mulheres representa 3,76% do total de pilotos brasileiros. Enquanto o Brasil busca equilibrar essa conta, na Índia, a participação feminina chega a 13%, nos EUA, a 10% e na Inglaterra, a 5%.

Na Latam Brasil, as mulheres compõem 4,1% do quadro técnico, totalizando 94 pilotas. A Azul registra uma taxa de 4,4%, com 86 pilotas em sua equipe. A GOL não forneceu dados atualizados, mas registros de 2025 apontavam 55 pilotas na companhia. O progresso é visível em indicadores qualitativos: na Azul, o número de mulheres comandantes saltou de 18 em 2020 para 30 em 2026, um crescimento de 66,7%.

Para a comandante Tatiana Mônico, 40 anos, a trajetória no cockpit exige resiliência. “O lugar da mulher é onde ela quiser”, afirma a profissional, que enfrentou anos de aviação geral no Tocantins para acumular as horas de voo necessárias antes de ingressar nas grandes empresas. Ela destaca que o maior desafio muitas vezes reside na conciliação entre a rigidez das escalas de voo e as responsabilidades com a maternidade.

Embora a desigualdade salarial seja um tema sensível em diversos setores, na aviação comercial brasileira a remuneração é pautada por critérios objetivos, como horas de voo e quilômetros percorridos, eliminando distinções de gênero no contracheque. Ainda assim, a barreira de entrada permanece elevada, com custos de formação que podem variar de R$ 80.000 a R$ 300 mil.

Segundo a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), foram expedidas 29.359 licenças para pilotos comerciais entre 2005 e 2026. A série histórica mostra que, apesar das oscilações econômicas e políticas, o ingresso feminino mantém um crescimento lento, mas constante, reforçando a necessidade de políticas de incentivo como o programa “Proa Direta”, mantido pela Latam Brasil para atrair novas talentos para a aviação.

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