DIREITOS HUMANOS VIOLADOS

Auditoria-Fiscal do Trabalho resgata nove pessoas de condições análogas à escravidão no Sertão de Pernambuco

Equipes de fiscalização durante operação de resgate de trabalhadores em obras no Sertão de Pernambuco
Trabalhadores são resgatados em situação análoga à escravidão no Sertão de PE — Foto: Divulgação/AFT

Operação coordenada pela AFT flagrou trabalhadores em obras públicas sob condições degradantes e sem garantias legais; valores devidos somam R$ 520 mil.

Nove trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão em Santa Cruz, no Sertão de Pernambuco, após uma força-tarefa coordenada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) entre 30 de junho e 8 de julho de 2026. A decisão pela interrupção das atividades e o resgate ocorreu após auditores constatarem irregularidades graves em obras públicas de pavimentação e pedreiras, sendo confirmada publicamente nesta segunda-feira, 13/07/2026, para garantir a proteção dos direitos fundamentais dos envolvidos.

O impacto da exploração sobre a dignidade das vítimas era profundo. Conforme apurado pela AFT, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e órgãos parceiros, os trabalhadores viviam em alojamentos superlotados, dormindo sobre colchões no chão ou em barracos de lona improvisados. Além da falta de condições sanitárias básicas e de acesso a água potável, os operários manuseavam explosivos artesanais sem qualquer treinamento, colocando suas vidas em risco constante.

A investigação identificou três empresas de construção civil que prestavam serviços para o poder público. As companhias operavam sob um esquema de remuneração por produção, sem registro formal ou garantia de direitos trabalhistas. A situação é considerada definitiva para fins de fiscalização, cabendo às empresas a imediata regularização e quitação de verbas rescisórias e danos morais, estimados em R$ 520 mil.

A operação contou com o suporte do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Defensoria Pública da União (DPU) e da Polícia Federal (PF). Além do resgate em Pernambuco, a mesma mobilização garantiu a liberdade de outros 20 trabalhadores na Bahia, nas cidades de Casa Nova e Sento Sé. As vítimas foram encaminhadas à rede de proteção social e terão direito ao seguro-desemprego específico para casos de trabalho análogo à escravidão.

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