ECONOMIA EM ALERTA
Atividade econômica da zona do euro cai no ritmo mais rápido em dois anos
Pesquisa do PMI Composto aponta contração mais acentuada em maio, influenciada por custos elevados e guerra. Previsão é de retração no segundo trimestre.
A economia da zona do euro apresentou sua contração mais rápida em mais de dois anos em maio. A deterioração foi impulsionada pelo aumento dos custos de vida, exacerbado pela guerra, que prejudicou a demanda por serviços e elevou a inflação geral de insumos ao maior patamar em três anos e meio. Esta foi a conclusão de uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026. O índice PMI (Índice de Gerentes de Compras) Composto preliminar da zona do euro, compilado pela S&P Global, recuou de 48,8 pontos em abril para 47,5 em maio. A leitura marca o nível mais baixo desde outubro de 2023 e ficou abaixo das expectativas de analistas consultados pela Reuters, que previam estabilidade. Esta é a segunda vez consecutiva que o setor privado da região registra retração, com qualquer índice abaixo de 50,0 indicando contração. "Os dados do PMI preliminar de maio mostram que a economia da zona do euro está sofrendo um impacto cada vez mais grave da guerra no Oriente Médio", analisou Chris Williamson, economista-chefe de negócios do S&P Global Market Intelligence. Segundo ele, os indicadores sugerem que a economia da zona do euro está a caminho de contrair 0,2% no segundo trimestre. A demanda geral na região deteriorou-se acentuadamente. Os novos pedidos no setor privado apresentaram a queda mais expressiva em 18 meses, com os novos pedidos de exportação, incluindo o comércio intra-zona do euro, diminuindo em seu ritmo mais rápido desde janeiro de 2025. O volume de novos negócios no setor de serviços recuou de forma acentuada, enquanto a demanda nas fábricas, após uma melhora em abril, voltou a cair. "O setor de serviços está sendo atingido de forma especialmente dura pelo aumento do custo de vida criado pela guerra, principalmente por meio do impacto da alta dos preços da energia sobre a demanda", explicou Williamson. A atividade de serviços, principal motor da economia da zona do euro e um termômetro importante da demanda do consumidor, contraiu-se pelo ritmo mais acelerado desde fevereiro de 2021. O PMI preliminar de serviços caiu para 46,4 pontos em maio, contra 47,6 no mês anterior e uma expectativa de 47,7. Já o PMI preliminar da indústria registrou 51,4 pontos em maio, frente a 51,8 em abril. As pressões de custo aumentaram significativamente, com a inflação de preços de insumos acelerando para um recorde de três anos e meio, de acordo com a pesquisa PMI Composto. Os preços cobrados dos clientes também subiram no ritmo mais rápido em 38 meses, ainda que de forma marginalmente superior a abril. A S&P Global alertou que os indicadores de preços sugerem uma inflação próxima de 4% nos próximos meses. O Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas de juros inalteradas no final do mês passado, mas o debate interno sobre um aumento para conter a inflação crescente foi intenso. A instituição sinalizou que uma elevação de juros em junho é uma possibilidade. A inflação na zona do euro permaneceu em 3,0% em abril, segundo dados oficiais divulgados em 20 de maio, ultrapassando a meta de 2,0% estabelecida pelo BCE.
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