TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO
Ataque aéreo em Sanaa sinaliza escalada no Iêmen e risco ao comércio global
Bombardeio contra aeroporto iemenita rompe cessar-fogo e ameaça rotas estratégicas de petróleo e comércio marítimo no mar Vermelho.
Forças apoiadas pela Arábia Saudita realizaram um bombardeio contra o aeroporto de Sanaa nesta segunda-feira, 13/07/2026, com o objetivo de impedir o pouso de uma aeronave iraniana. A decisão, que encerra o período de relativa estabilidade no Iêmen mantido desde o cessar-fogo mediado pela ONU em 2022, reacende o temor de uma expansão definitiva do conflito na região.
A operação militar, que interrompeu o fluxo aéreo na capital ocupada pelos houthis desde 2014, foi justificada pelo governo iemenita deposto como uma medida para evitar o desembarque de uma delegação que participou do funeral de Ali Khamenei. A ação, contudo, é vista por analistas como um movimento de Riad para consolidar influência estratégica em um momento onde a Força Aérea do governo deposto carece de autonomia operacional.
O impacto desta decisão ultrapassa as fronteiras iemenitas. O porta-voz militar dos rebeldes, Yahya Saree, declarou o fim da desescalada e prometeu retaliações, o que coloca em risco imediato os terminais de escoamento de petróleo em Yanbu. O temor das autoridades internacionais é que a instabilidade atinja o estreito de Bab al-Mandab, corredor vital que conecta o Índico ao mar Vermelho.
A fragilidade da segurança marítima na costa leste, controlada pelos houthis, já reflete no custo da economia global. Com o índice FBX atingindo a marca de US$ 4.000 — quatro vezes superior aos patamares anteriores à crise de 7 de outubro de 2023 —, qualquer nova interrupção ameaça encarecer ainda mais os fretes internacionais e o fornecimento de energia para o mercado asiático.
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