ARTE EM FOCO

Artista confirma financiamento público para “Papangú” na UFRN

Artista confirma financiamento público para “Papangú” na UFRN

Performance com nudez gerou controvérsia. Recursos vieram de editais federais (Lula) e estaduais (Fátima Bezerra) para fomento à dança e cultura negra.

A performance “Papangú”, apresentada na Galeria Laboratório do Departamento de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), gerou intenso debate e levou o coreógrafo Alexandre Américo a confirmar, nesta domingo, 17 de maio de 2026, o financiamento público da obra. O espetáculo recebeu apoio federal, por meio do Ministério da Cultura e da Política Nacional Aldir Blanc (gestão Lula), e estadual, da Fundação José Augusto (FJA) e da Secretaria de Estado da Cultura do RN (gestão Fátima Bezerra). Esses recursos foram concedidos após um processo regular de seleção pública destinado ao fomento da dança e ao apoio à cultura negra, revelando a complexidade do diálogo entre a liberdade artística e a percepção social sobre o uso de verbas públicas.

A repercussão de vídeos da apresentação, que mostra o artista completamente nu, reverberou nas redes sociais e na esfera política do estado, provocando uma onda de críticas e questionamentos. Em resposta, Alexandre Américo divulgou uma nota oficial para contextualizar a criação e detalhar a origem dos recursos que viabilizaram o projeto.

O coreógrafo assegurou que o projeto “Papangú” passou por uma rigorosa avaliação em editais públicos, sendo selecionado para receber fomento. Ele destacou que os investimentos do Governo Federal, via Ministério da Cultura e Política Nacional Aldir Blanc, e do Governo do Estado, por meio da Fundação José Augusto (FJA) e da Secretaria de Estado da Cultura do RN, reforçam o compromisso com a cultura e a diversidade. A iniciativa, segundo Américo, alinha-se a critérios de apoio à dança contemporânea e à promoção da cultura negra, categorias contempladas nos editais.

Diante das acusações e da polarização online, Alexandre Américo defendeu a integridade conceitual de sua pesquisa, fruto de mais de uma década dedicada à dança contemporânea e à exploração corporal. Ele esclareceu que a nudez é um elemento estético intrínseco à obra, buscando provocar reflexão e não possuindo qualquer conotação erótica ou sexual. Sua intenção é desmistificar o corpo na arte e expandir os limites da expressão artística.

O artista também enfatizou o cuidado com a classificação indicativa. Todas as sessões da performance, realizadas entre os dias 11 e 13 de maio, foram estritamente restritas a maiores de 18 anos. Essa condição foi claramente comunicada nos materiais de divulgação e verificada no acesso à sala, garantindo que o público fosse composto apenas por adultos, em respeito às normativas e à natureza da obra.

Alexandre Américo, que possui mestrado em Artes Cênicas e cursa doutorado em Educação pela UFRN, expressou profundo lamento pela “deturpação e desinformação” disseminadas em conteúdos de internet e em veículos de TV. A controvérsia, ele alega, desvia o foco do valor artístico e conceitual do “Papangú”, transformando um debate cultural em uma disputa ideológica.

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