SAÚDE EM JOGO
Arminio Fraga defende tratamento de bets como questão de saúde pública
Ex-presidente do Banco Central, Arminio Fraga, alerta para o impacto de bets e cassinos online na saúde mental e defende reforma previdenciária urgente.
O economista e ex-presidente do Banco Central, Arminio Fraga, defendeu nesta quinta-feira, 11/06/2026, que a regulamentação de bets e cassinos online seja tratada prioritariamente como uma questão de saúde pública, e não apenas sob a ótica econômica. A declaração foi feita durante o evento Brasil Adiante, projeto do Estadão que busca apresentar propostas para os problemas do País.
Fraga destacou que existem evidências amplas sobre os impactos negativos dessas atividades na saúde. Ele questionou a natureza dos jogos, comparando a estrutura de roletas com a das bets, para ilustrar a maior exposição dos jogadores. A iniciativa Brasil Adiante visa consolidar soluções para os próximos 24 meses de um governo, a serem entregues em novembro ao eleito.
Um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), do qual Fraga é cofundador, estima que os danos associados ao jogo problemático custam R$ 38,8 bilhões anuais ao País, sendo R$ 30,6 bilhões relacionados à saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS) registrou uma média de 12 atendimentos virtuais diários em saúde mental para pessoas com vício em bets nos dois primeiros meses de operação da plataforma. De março a maio de 2026, foram 883 consultas por vídeo, oferecidas gratuitamente e de forma confidencial em parceria com o Hospital Sírio-Libanês.
Em outro ponto crucial de sua análise, Arminio Fraga reiterou a urgência de uma reforma previdenciária profunda. Ele descreveu o sistema atual como estando em “estado pré-falimentar”, um “problema enorme” que compromete o futuro do País. Fraga argumentou que o aumento da expectativa de vida, que atingiu 76,6 anos em 2024, exige uma readequação do sistema para garantir sua sustentabilidade e o bem-estar da população idosa.
Fraga também abordou a necessidade de realismo nas decisões sobre a incorporação de novas tecnologias e tratamentos ao sistema de saúde. Ele defendeu que os limites financeiros disponíveis sejam considerados, e que os custos façam parte integrante das discussões sobre a oferta de procedimentos médicos. O evento Brasil Adiante continuará com uma série de encontros até agosto, culminando na apresentação de uma agenda de soluções em novembro.
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