ALERTA DE SAÚDE

Aquecimento dos oceanos amplia riscos da bactéria Vibrio vulnificus

Micrografia eletrônica da bactéria Vibrio vulnificus.
A Vibrio vulnificus é monitorada pelo CDC devido ao risco elevado de infecções graves em banhistas. (Foto: CDC/James Gathany)

Cientistas da Universidade de Indiana identificam expansão de habitat da bactéria, que pode causar fasciíte necrosante em banhistas e consumidores de mariscos.

O aumento da temperatura global dos oceanos está criando condições ideais para a proliferação da Vibrio vulnificus, uma bactéria perigosa que atinge banhistas e consumidores de frutos do mar. A disseminação do microrganismo, confirmada por autoridades de saúde e especialistas, preocupa pela alta taxa de mortalidade e pela capacidade de causar a fasciíte necrosante.

Conforme destacado em um artigo originalmente publicado pelo The Conversation em 25 de setembro de 2023, o fenômeno tem sido monitorado de perto pelo CDC, que alerta para o avanço da bactéria em regiões anteriormente consideradas seguras. Nos Estados Unidos, estados como Louisiana, Flórida e Maryland já relataram casos da infecção.

O que caracteriza a infecção

A condição conhecida como “comedora de carne” ocorre quando bactérias liberam toxinas que destroem tecidos, músculos e nervos abaixo da pele. Se atingir a corrente sanguínea, o quadro pode evoluir para óbito em até 48 horas. A Vibrio vulnificus, embora menos comum que o estreptococo do grupo A, apresenta uma letalidade preocupante: uma em cada cinco pessoas infectadas não sobrevive.

Expansão geográfica e riscos

Tradicionalmente restrita às águas quentes da Costa do Golfo, a bactéria agora é encontrada até em áreas como Nova York e Connecticut. Estudos indicam que, entre 1988 e 2018, as infecções de feridas por esse agente aumentaram oito vezes no leste dos Estados Unidos. O aquecimento das águas também já permitiu que a Vibrio vulnificus se espalhasse pelo norte da Europa e pelo Mar Báltico.

A proteção recomendada pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças é clara: pessoas com feridas abertas, cortes recentes ou que tenham feito tatuagens e piercings devem evitar águas marinhas ou salobras. Caso o contato seja inevitável, o uso de curativos impermeáveis é obrigatório. Além disso, o manuseio de mariscos crus requer cautela redobrada, especialmente por indivíduos com diabetes, doenças hepáticas, câncer ou HIV, que possuem maior vulnerabilidade.

O tratamento exige uma intervenção médica imediata, baseada no uso de antibióticos por via intravenosa e, com frequência, cirurgias para a remoção de tecidos infectados, o que pode incluir a amputação de membros para impedir o avanço da necrose.

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