SEGURANÇA NO TRÂNSITO
Estudo revela risco elevado de traumatismo craniano em acidentes com Patinetes elétricos
Pesquisa realizada na Inglaterra e no País de Gales aponta que o design do veículo torna usuários mais vulneráveis a danos severos na cabeça.
O risco de lesões graves em condutores de Patinetes elétricos tem ganhado atenção de especialistas em saúde após uma análise detalhada sobre o perfil dos acidentes. A pesquisa, realizada na Inglaterra e no País de Gales, foi conduzida para compreender o padrão de ferimentos registrados em centros de saúde, revelando que, embora pareçam veículos inofensivos, as quedas podem resultar em danos significativos à integridade física dos usuários.
O estudo, que analisou dados de um banco nacional de trauma com mais de 15 mil indivíduos, destacou que os traumatismos cranioencefálicos são três vezes e meia mais frequentes entre os condutores de Patinetes elétricos do que entre motociclistas. A vulnerabilidade é atribuída principalmente ao design do equipamento: o centro de gravidade elevado, aliado a rodas pequenas que travam facilmente em buracos, faz com que o condutor seja arremessado à frente, muitas vezes sem qualquer proteção para a cabeça.
A baixa adesão ao uso de capacetes é um fator crítico. Enquanto 76% dos motociclistas utilizam o equipamento de proteção, apenas 6% dos condutores de Patinetes elétricos feridos registrados na base de dados faziam uso do acessório. Além das lesões cranianas, houve uma incidência notável de danos a órgãos internos e vasos sanguíneos, condições que podem exigir procedimentos cirúrgicos complexos e longos períodos de reabilitação.
Os pesquisadores, liderados por Jerry Tsang, professor clínico sênior de Cirurgia do Trauma e Ortopédica na Queen Mary University of London, ressaltam que o alto número de incidentes envolvendo adolescentes — que representam 16% dos feridos — reforça a necessidade de medidas educativas. O levantamento também indica que a infraestrutura urbana desempenha papel fundamental, já que as taxas de colisão variam drasticamente conforme as condições das vias.
Apesar da conveniência e da popularidade do transporte, o impacto na qualidade de vida dos acidentados é profundo. Especialistas reforçam que, embora nem toda viagem termine em acidente, o uso consciente, o respeito aos limites de velocidade e, acima de tudo, o uso de equipamentos de segurança são medidas indispensáveis para evitar sequelas permanentes ou complicações médicas graves.
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