DIREITOS E DIVERSIDADE

Apib aciona CNJ para investigar afastamento de juiz indígena no TJSC

Juiz indígena Yves Luan Carvalho Guachala em imagem de arquivo pessoal.
Juiz indígena Yves Luan Carvalho Guachala relata processo de perseguição após assumir comarca em Catanduvas (SC).

Magistrado denuncia perseguição etno-ideológica e descredibilização profissional. Tribunal de Justiça de Santa Catarina mantém caso sob sigilo.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) solicitou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) uma investigação rigorosa sobre o afastamento do magistrado Yves Luan Carvalho Guachala do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. O pedido, formalizado em maio deste ano, aponta que o juiz, que atua na comarca de Catanduvas (SC), seria vítima de perseguição etno-ideológica motivada por sua origem indígena e pela natureza garantista de suas decisões.

O caso expõe a sub-representação de povos originários no Judiciário brasileiro. Dados do CNJ indicam a existência de apenas 24 juízes autodeclarados indígenas no País, o que corresponde a 0,1% do total de 18.931 magistrados, enquanto o grupo de juízes brancos compõe 82,5% da categoria.

Ingressando na magistratura via sistema de cotas, o juiz Guachala, de 37 anos, enfrenta desde janeiro um processo disciplinar que pode resultar em sua demissão. O magistrado relata que foi retirado de suas funções no dia 16 de abril de forma vexatória, durante uma audiência, e descreve o cenário como um processo de violência institucional.

"Desejam me retirar do cargo, talvez por achar que sou incapaz por ser cotista e por incômodo com decisões garantistas", afirma o juiz, que aponta o uso de boatos infundados e críticas à sua vida pessoal — como o modo de se vestir em espaços públicos — como ferramentas de desqualificação no processo administrativo.

A defesa do magistrado e a Apib classificam o procedimento instaurado pela Corregedoria do TJSC como uma "pesca de provas". Segundo a entidade, as decisões que geraram incômodo incluíam o relaxamento de prisões em audiências de custódia com indícios de violência policial e o fim de execuções fiscais ineficazes.

Em nota, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina informou que o caso tramita sob segredo de justiça e que o afastamento fundamenta-se em denúncias de servidores e supostas irregularidades administrativas. Já o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, na última quarta-feira (5), uma investigação criminal sobre o caso, mantendo a indefinição sobre o futuro do magistrado.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário