SAÚDE PÚBLICA EM RISCO
Anvisa suspende Ypê após denúncia de Unilever por bactérias
Contaminação por Pseudomonas aeruginosa e outras em diversos produtos, válida até junho de 2027.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, neste mês de maio de 2026, a interrupção da fabricação e da venda de diversos produtos líquidos da Química Amparo, fabricante da Ypê, após receber denúncias da Unilever sobre contaminação microbiológica. A decisão da Anvisa, motivada pelo iminente risco à saúde e segurança dos consumidores, afeta itens essenciais do dia a dia, como detergentes e lava-roupas.
As denúncias da Unilever, que gerou a medida drástica, começaram em outubro de 2025. Naquele momento, a multinacional, dona de marcas como Omo, Comfort e Cif, alegou ter identificado a bactéria Pseudomonas aeruginosa/paraaeruginosa em quatro lotes dos produtos Tixan Ypê Express. Análises internas e testes conduzidos pelo renomado laboratório Charles River, conhecido por seu vasto banco de dados genéticos, confirmaram a presença da bactéria. Os lotes em questão, das versões “Cuida das roupas” e “Combate mau odor”, tinham validade até junho de 2027.
A Unilever destacou em seu relato inicial que os produtos apresentavam um “desvio microbiológico relevante”, alertando para o perigo que essa contaminação representava para os usuários. A empresa frisou a “identificação genética perfeita” da bactéria nas amostras, indicando que o DNA encontrado correspondia exatamente ao da bactéria presente nas referências do laboratório. Além disso, a multinacional mencionou ter tomado conhecimento de um suposto “recolhimento silencioso” de produtos Tixan Ypê Express no mercado, o que teria intensificado a necessidade de análises aprofundadas.
A situação escalou em março de 2026, quando a Unilever apresentou uma nova denúncia. Desta vez, outros 14 lotes de produtos da linha Ypê, incluindo versões Tixan Ypê Primavera, Tixan Ypê Maciez, Tixan Ypê Express e até um lote de detergente Ypê Lava-Louças Neutro, apresentaram contaminação microbiológica, conforme testes realizados pelo laboratório Eurofins. Todos esses novos lotes também continham Pseudomonas aeruginosa, a mesma bactéria já apontada e posteriormente ligada aos produtos que foram alvo de recall pela Anvisa.
Os testes complementares revelaram um cenário ainda mais preocupante: sete dos 14 lotes analisados exibiram traços genéticos de outras bactérias, como Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter baumannii e diversas espécies do gênero Pseudomonas. A Unilever alertou que muitos desses microrganismos também representavam risco significativo à saúde humana, o que a levou a solicitar às autoridades a ampliação do recall dos produtos e a abertura de um processo administrativo para investigar a conduta da Química Amparo.
Em resposta às graves denúncias, a Anvisa realizou inspeções na fábrica da Química Amparo, localizada em Amparo (SP). A agência então determinou a interrupção imediata da fabricação e comercialização de todos os produtos líquidos produzidos naquele complexo industrial, abrangendo uma vasta gama de itens como detergentes, lava-roupas e desinfetantes.
Procurada para comentar a decisão e as denúncias, a Anvisa não havia retornado até a última atualização desta reportagem, nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026.
Em nota oficial, a Unilever afirmou que “realiza rotineiramente testes técnicos em seus produtos e eventualmente nas demais marcas do mercado. Esta é uma prática comum entre as indústrias do setor. A depender dos resultados destes testes, em respeito ao consumidor, as autoridades competentes são notificadas.” A empresa ainda esclareceu que “quaisquer investigações são conduzidas exclusivamente pela autoridade, que avalia as diligências, fiscalizações e testes que entender necessários para a tomada de decisão.”
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