PERIGO OCULTO

ANVISA baniu, mas gordura oculta ainda ameaça a saúde

Mesa com diversos alimentos industrializados, como biscoitos, pães, sorvetes e molhos, ao lado de um rótulo de informação nutricional.
Alimentos ultraprocessados podem conter gordura hidrogenada, apesar da regulamentação da ANVISA.

Regulamentação de 2023 barrou gordura trans industrial, mas vigilância é chave contra vilã silenciosa em ultraprocessados; riscos cardíacos persistem.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) determinou desde 2023 restrições rigorosas à gordura trans industrial, praticamente proibindo seu uso em alimentos com o objetivo de mitigar o risco de doenças crônicas na população. Apesar dessa medida crucial, consumidores ainda enfrentam um desafio invisível: a presença oculta de gorduras hidrogenadas em alimentos ultraprocessados, que continuam a ameaçar a saúde cardiovascular e o bem-estar geral, conforme alertado nesta quarta-feira, 06/05/2026.

Considerada uma das substâncias mais prejudiciais à saúde do coração, a gordura hidrogenada (principal fonte de gordura trans industrial) não oferece nenhum benefício ao organismo. Pelo contrário, seu consumo excessivo possibilita a criação e o acúmulo de placas de gordura nas artérias.

A nutricionista Elaine Rodrigues explicou à CNN Brasil que "o consumo excessivo aumenta o colesterol LDL ('ruim') e reduz o HDL ('bom'), favorecendo o acúmulo de placas nas artérias". Ela ressaltou que "isso eleva significativamente o risco de doenças como infarto e AVC. Ela é tão temida justamente porque não traz nenhum benefício ao organismo e seus efeitos são cumulativos e silenciosos".

Estudos científicos, como os publicados na revista Arquivos Latino-Americanos de Nutrição, demonstram uma relação direta e inequívoca entre o consumo de gordura hidrogenada e ácidos graxos e o aumento de doenças coronarianas, corroborando a preocupação com o impacto silencioso dessa vilã alimentar.

Para se proteger dos perigos ocultos, a diligência na leitura dos rótulos dos alimentos industrializados é fundamental. Elaine Rodrigues esclarece: "É importante olhar a lista de ingredientes, não só a tabela nutricional. Termos como 'gordura vegetal hidrogenada' ou 'parcialmente hidrogenada' indicam a presença de gordura trans. Mesmo que o rótulo diga '0g de gordura trans', a legislação permite pequenas quantidades por porção, então, se aparecer na lista de ingredientes, o alimento contém sim".

Muitos alimentos com uma imagem de "inocentes" podem esconder grandes quantidades de gorduras prejudiciais. Exemplos comuns incluem:

  • Biscoitos recheados e crackers
  • Pães industrializados e massas prontas
  • Pipoca de micro-ondas
  • Sorvetes industrializados
  • Cremes vegetais e margarinas
  • Molhos prontos e refeições congeladas

Sobre a quantidade segura para consumo, a recomendação da nutricionista é clara: evitá-la ao máximo. "Organizações de saúde indicam que o consumo de gordura trans deve ser o mais próximo possível de zero. Não existe uma quantidade considerada segura para consumo regular", avaliou Rodrigues.

Além dos graves riscos cardiovasculares, a ingestão contínua desse tipo de gordura pode desencadear inflamação no organismo, resistência à insulina, maior risco de obesidade, acúmulo de gordura abdominal e impactos negativos na saúde cerebral a longo prazo.

A ANVISA, em sua determinação de eliminação progressiva das gorduras trans industriais, estabeleceu restrições rigorosas desde 2023, praticamente proibindo o uso de gordura parcialmente hidrogenada em alimentos industrializados. A medida brasileira alinha-se a uma tendência global, reforçando o compromisso com a saúde pública e a redução de doenças crônicas na população.

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