MUDANÇA NO MERCADO

América Latina assume liderança nas exportações de móveis do RS após tarifaço dos EUA

Linha de montagem de móveis em fábrica no Rio Grande do Sul.
Indústrias moveleiras gaúchas buscam novos mercados na América Latina para contornar tarifas norte-americanas.

Indústrias gaúchas redirecionam vendas para vizinhos latinos após barreiras tarifárias nos Estados Unidos; Uruguai lidera ranking de importações em 2026.

A indústria moveleira do Rio Grande do Sul reconfigurou sua estratégia global após as barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos, que elevaram o custo de entrada dos produtos brasileiros. Essa movimentação, consolidada em 13/07/2026, reflete a necessidade das empresas gaúchas em preservar postos de trabalho e garantir o escoamento da produção diante de um cenário internacional mais desafiador.

Dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) revelam que, entre janeiro e maio de 2026, a América Latina consolidou-se como o destino preferencial das exportações. Países como Uruguai, Peru, Chile, México e Argentina ocuparam o vácuo deixado pelos Estados Unidos, que recuaram para a sexta posição no ranking de compradores.

A decisão de buscar novos mercados foi impulsionada pela elevação das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos em agosto de 2025, o que comprometeu a competitividade do setor. Para o trabalhador e o empresário, a adaptação foi inevitável: a proximidade geográfica com os vizinhos sul-americanos permitiu uma logística mais eficiente e o fortalecimento de parcerias comerciais estratégicas.

Conforme aponta Cleberton Ferri, diretor Internacional do Sindmóveis (Sindicato das Indústrias de Móveis de Bento Gonçalves), a mudança foi um movimento forçado pela conjuntura. "Nenhum empresário tira o pé dos Estados Unidos por conta própria, a não ser que aconteça uma situação como essa", destaca Ferri.

O impacto nos números é expressivo: enquanto a fatia dos Estados Unidos caiu de 16,8% em 2024 para 6,8% nos cinco primeiros meses de 2026, a América Latina saltou de 69,9% para 82,5% no mesmo período. O Uruguai, que lidera as compras com US$ 17 milhões, tornou-se o principal parceiro, evidenciando que o design brasileiro mantém seu apelo, desde que adaptado às realidades habitacionais dos novos vizinhos importadores.

O setor, que movimenta bilhões e emprega cerca de 250 mil trabalhadores no Brasil, conforme a Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), agora volta suas atenções para a Movelsul, feira que ocorre em Bento Gonçalves. O evento busca conectar a indústria às demandas da América Latina, consolidando o novo mapa de exportações do estado.

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