MERCADO DE ENERGIA

Petróleo Brent ultrapassa a marca de US$ 96 sob tensão entre Estados Unidos e Irã

Navio-tanque atracado em porto japonês em meio à tensão global de petróleo.
Um navio-tanque atracado no cais marítimo de Keiyo, em Sodegaura, província de Chiba, no Japão. — Foto: Yuichi Yamazaki / AFP

Conflito no Estreito de Ormuz eleva preocupações globais com o fornecimento e pressiona bancos centrais a manter juros altos.

A instabilidade gerada pela escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã pressiona o mercado de energia e elevou o petróleo Brent, referência internacional, a superar os US$ 96 por barril nesta quinta-feira (23), atingindo o patamar mais alto desde o início de junho. O movimento reflete o temor de uma interrupção severa no fornecimento global diante das crescentes restrições à navegação no Estreito de Ormuz.

Esta rota marítima é um corredor vital por onde circula cerca de um quinto de todo o petróleo e gás natural comercializados no mundo. A dificuldade na circulação de navios-tanque intensificou a alta das commodities: enquanto o Brent subia 2,2%, cotado a US$ 96,14, o petróleo WTI, referência nos EUA, avançava 1,8%, chegando a US$ 88,35. Para efeito de comparação, no início do mês, o Brent era negociado abaixo de US$ 72.

O cenário de tensão se agravou na quarta-feira (22), quando os militares americanos anunciaram a 12ª noite consecutiva de ataques contra o Irã, com ambos os lados ampliando ações que atingem infraestruturas civis. Esse ambiente de beligerância impacta diretamente a dignidade econômica de cidadãos ao redor do globo, uma vez que o encarecimento da energia gera um efeito cascata no custo de vida.

Analistas alertam que a disparada dos preços reacende o medo de uma nova onda inflacionária. A pressão sobre os custos de empresas e consumidores pode forçar instituições financeiras, como o Federal Reserve (Fed), a sustentar juros elevados por um período mais longo ou até implementar novos aumentos, encarecendo o crédito e o consumo para as famílias.

Enquanto os mercados asiáticos reagiram com otimismo, com o índice Kospi da Coreia do Sul avançando 3,7% e o Nikkei do Japão subindo 0,5%, o clima em Wall Street permanece de cautela. Investidores monitoram de perto os desdobramentos diplomáticos e militares, temerosos de que a volatilidade no setor energético neutralize os sinais de recuperação econômica global.

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