SEGURANÇA ENERGÉTICA NACIONAL

Governo antecipa contratos de energia para mitigar impactos do El Niño

Linhas de alta tensão sob céu claro em Brasília.
Linha de transmissão de energia, em Brasília. Foto: Ueslei Marcelino/ Reuters

Decisão do CMSE adiciona 1,8 GW ao SIN a partir de setembro; medida visa prevenir escassez provocada por oscilações climáticas e tensões geopolíticas.

O governo federal oficializou a antecipação do fornecimento de energia referente a cinco contratos de leilões de reserva de capacidade na modalidade energia e um contrato na modalidade potência. A medida visa assegurar a estabilidade do abastecimento nacional frente às incertezas climáticas e globais que ameaçam o fornecimento regular.

A determinação, que entrará em vigor na quarta-feira (22), injetará 1,8 GW ao Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de 1º de setembro. A estratégia foi aprovada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) como uma medida preventiva contra os desdobramentos do fenômeno El Niño.

A iniciativa é vital para a preservação do bem-estar social, evitando que oscilações abruptas no preço ou na disponibilidade de energia afetem o cotidiano dos brasileiros. O fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, altera regimes de chuva e temperatura. No Brasil, isso gera um cenário desigual: enquanto o Sul pode enfrentar chuvas intensas, o Norte e o Nordeste ficam vulneráveis a secas prolongadas, o que reduz a geração hidrelétrica e, simultaneamente, eleva o consumo devido ao calor extremo.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) alertou, em julho, que a alta probabilidade de ocorrência do fenômeno exige prontidão técnica. Além do fator climático, o Ministério de Minas e Energia (MME) destacou que a antecipação protege o consumidor de custos elevados. Segundo estudos, o uso de usinas sem contrato fixo é, no mínimo, 25% mais caro do que a energia garantida por leilões.

A decisão também antecipa riscos trazidos pelo cenário de guerras no Oriente Médio, que impactam o mercado de combustíveis. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência das Nações Unidas, o El Niño deve se intensificar no segundo semestre, atingindo seu ápice entre novembro e fevereiro de 2027, com temperaturas das águas do Oceano Pacífico superando a média em 2°C.

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