DADOS DO SISTEMA
Amazonas acumula mais foragidos da Justiça do que detentos no sistema prisional
Relatório do CNJ aponta 8.716 mandados pendentes contra 8.581 pessoas encarceradas no estado. Cenário de superlotação afeta unidades no interior do Amazonas.
O Sistema de Execução Penal do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelou um desequilíbrio crítico na segurança pública estadual, ao constatar que o número de pessoas procuradas pela Justiça no Amazonas supera a quantidade de indivíduos atualmente sob custódia no sistema prisional. De acordo com o levantamento consultado nesta domingo, 12/07/2026, existem 8.716 mandados de prisão pendentes de cumprimento, enquanto o sistema prisional abriga 8.581 pessoas.
A discrepância entre os foragidos e os detentos reflete um desafio persistente para as forças de segurança. Do total de pessoas privadas de liberdade, a maioria é composta por homens (96,4%), sendo que 4.110 cumprem pena definitiva, enquanto 3.399 aguardam julgamento sob regime de prisão preventiva. A situação evidencia a pressão sobre o judiciário e as instituições de segurança pública na gestão das vagas e na eficácia da captura de infratores.
Além da instabilidade jurídica, o sistema enfrenta o agravante da superlotação. Um diagnóstico conduzido pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) entre outubro de 2025 e maio de 2026 aponta que 67,7% das 62 unidades vistoriadas operam além de sua capacidade nominal. O levantamento, que incluiu delegacias e centros de custódia, também indicou que mais de 60% desses locais contam com efetivo insuficiente para garantir a dignidade básica e a segurança dos detentos.
Em resposta aos problemas estruturais, o MPAM informou que os dados coletados servirão para balizar medidas administrativas e a interlocução com os gestores do setor. Questionada sobre estratégias para localizar os foragidos e amenizar a superlotação, a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) não apresentou posicionamento até a publicação desta reportagem, em 12/07/2026.
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