CRIME E PUNIÇÃO
Justiça condena três homens por atentado contra ex-analista da Unimed Nacional em SP
Os réus foram sentenciados por participação em tentativa de homicídio motivada por desvios milionários de R$ 4,8 milhões descobertos pela vítima.
O Tribunal do Júri de São Paulo condenou três homens pela tentativa de homicídio qualificado contra uma ex-analista financeira da Unimed Nacional em SP. A decisão, que reconheceu o caráter premeditado do crime, foi tomada em um processo que apura o desvio de mais de R$ 4,8 milhões da instituição, esquema descoberto pela própria vítima antes de sofrer o atentado.
O ataque, que ocorreu em dezembro de 2024, também deixou sequelas físicas e psicológicas profundas no marido da ex-servidora, atingido por disparos durante uma ação inicialmente camuflada pelos criminosos como um desentendimento de trânsito. A investigação da Polícia Civil, porém, revelou por meio de imagens de segurança que os disparos tinham como alvo direto a passageira do veículo.
A motivação, segundo as autoridades, está ligada à coragem da funcionária em denunciar irregularidades cometidas por sua colega de setor, Bruna Perugine Teixeira. Após a denúncia, a investigada teria arquitetado o crime, contratando executores para silenciar quem expôs o desfalque milionário.
Penas e a situação dos réus
Em sentença proferida pelo juiz Gustavo Celeste Ormenese, a execução das penas foi determinada de forma imediata para os três condenados:
- Rafael Rosa Silva: Condenado a 16 anos, 7 meses e 3 dias de reclusão em regime fechado, por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe.
- Tiago Ferreira dos Santos: Apontado como articulador da ação, recebeu a pena de 18 anos e 8 meses de reclusão, também em regime fechado.
- Júlio César Benício de Medeiros: Teve pena fixada em 9 anos e 4 meses em regime fechado. O júri reconheceu sua participação de menor importância, que consistiu em fornecer o veículo e comunicar falsamente o furto do carro.
A mandante do crime, Bruna Perugine Teixeira, permanece foragida, suspeita de ter forjado seu próprio desaparecimento para escapar da aplicação da lei. As defesas dos réus recorreram ou alegam inocência. Enquanto a justiça avança, a vítima e sua família seguem em processo de reconstrução, lidando com os traumas físicos de um crime que tentou, sem sucesso, apagar a integridade de uma profissional que apenas cumpriu o seu dever.
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