EX-PREFEITO RECONHECE
Álvaro Dias admite dívidas deixadas em Natal após mudar discurso em menos de 24h
Álvaro Dias (PL) alterou sua versão sobre as finanças da Prefeitura de Natal em entrevista nesta quarta-feira, 10/06/2026, após afirmar na véspera que deixara o município em situação "razoavelmente confortável".
O ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (PL), alterou sua versão sobre as contas deixadas pela sua gestão na Prefeitura. Em menos de 24 horas após afirmar, em entrevista na 96 FM na terça-feira, 9 de junho de 2026, que entregou o município em situação "razoavelmente confortável", com recursos em caixa superiores ao passivo existente, ele agora reconheceu que deixou dívidas ao fim do mandato. Ele, contudo, negou que tenha havido um rombo ou uma situação calamitosa nas finanças.
A nova declaração ocorreu na manhã desta quarta-feira, 10 de junho de 2026, em entrevista à 97 FM. Ao comentar a controvérsia sobre o passivo herdado pelo atual prefeito, Paulinho Freire (União Brasil), Álvaro Dias negou ter conhecimento de reclamações do seu aliado político. Ele tentou enquadrar a existência de dívidas como algo comum em transições administrativas.

"Todo governo que sai, deixa dívidas", declarou o ex-prefeito. Ele mencionou que também herdou obrigações ao assumir a Prefeitura e citou passivos de administrações anteriores, incluindo a de Micarla de Sousa e dívidas atribuídas ao período da ex-governadora Wilma de Faria. Dias defendeu que uma dívida pública não se forma instantaneamente nem pode ser resolvida de imediato. "Uma dívida não se constrói da noite para o dia, não", afirmou.
Esta fala representa uma mudança de perspectiva em relação à entrevista anterior. Na 96 FM, Álvaro Dias foi mais enfático ao negar um passivo próximo de R$ 1 bilhão para a gestão seguinte, alegando ter feito um levantamento com contadores e a então secretária de Planejamento, Joanna Guerra, que hoje é vice-prefeita. Ele sustentou que a Prefeitura estava em uma situação confortável.
"Não havia esse passivo não", declarou ele na entrevista. Na ocasião, Álvaro admitiu a existência de obrigações, mas argumentou que o dinheiro em caixa era superior ao passivo. Ele também citou convênios firmados e recursos garantidos como fatores que asseguravam uma condição "razoavelmente confortável" para a Prefeitura de Natal.
Agora, à 97 FM, o ex-prefeito manteve a negativa de um cenário calamitoso, mas passou a admitir de forma mais direta que deixou dívidas. "Quando nós saímos da Prefeitura, nós deixamos dívidas e deixamos dinheiro em caixa também", disse. Ele reiterou que havia convênios garantidos, recursos assegurados e um levantamento técnico realizado antes da saída da gestão.
A controvérsia tem origem em um relatório técnico da transição entre as gestões Álvaro Dias e Paulinho Freire. O documento registrou R$ 862,9 milhões em restos a pagar, sendo R$ 349,8 milhões em despesas processadas e não pagas, e R$ 513,1 milhões em despesas não processadas. Apontou, ainda, 46 obras paralisadas ou inacabadas.
O relatório, coordenado e assinado por Joanna Guerra, foi encaminhado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) e serviu de base para as primeiras avaliações da atual administração sobre a herança recebida. Após assumir a Prefeitura, Paulinho Freire anunciou medidas de contenção de despesas, como cortes de jetons, gratificações e viagens, para abrir espaço no orçamento.
Dados fiscais posteriores reforçaram a dimensão do passivo. Os Relatórios Resumidos de Execução Orçamentária de 2025 indicam que a gestão Paulinho pagou R$ 627,5 milhões e cancelou R$ 68,17 milhões de restos a pagar. Ao final de 2025, ainda restavam R$ 429,57 milhões em saldo. O demonstrativo de disponibilidade de caixa na transição apontou R$ 1,424 bilhão em saldos bancários em 31 de dezembro de 2024, mas R$ 1,160 bilhão estava vinculado ao regime de previdência municipal (NatalPrev), não sendo computável como caixa livre. A Prefeitura dispunha de R$ 259,6 milhões para cobrir os quase R$ 1 bilhão em restos a pagar.
Com a nova postura, Álvaro Dias desloca o foco de sua defesa. Ele agora reconhece a existência de dívidas, mas busca enquadrá-las como parte normal de qualquer transição de governo, afirmando que havia caixa, convênios e recursos assegurados para enfrentá-las. A discussão ganha peso político em meio à pré-candidatura de Dias ao Governo do Rio Grande do Norte, utilizando sua passagem pela Prefeitura como credencial.
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