ORIENTE MÉDIO EM ALERTA
Alerta de ataques dos EUA e Israel eleva tensão com Irã
Governos e diplomatas preparam-se para possível escalada em 48 horas. Teerã exige reparações e prepara retaliação.
Uma escalada perigosa de tensões militares coloca diplomatas estrangeiros e o governo iraniano em estado de alerta máximo, temendo a retomada de ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã nas próximas 48 horas. A movimentação acendeu um sinal de perigo para a estabilidade do Oriente Médio, com impactos que podem reverberar globalmente a partir desta segunda-feira, 18 de maio de 2026.
A iminência de um conflito maior é sentida nas bases militares e nos corredores diplomáticos. Representantes estrangeiros detectaram uma movimentação militar atípica em bases americanas, incluindo a de Diego Garcia. A apreensão é tamanha que grupos de diplomatas monitoram informalmente até o chamado Índice de Pizza do Pentágono, que mede entregas de pizza e fast-food em edifícios do Pentágono e da Casa Branca em Washington — um indicador que historicamente sobe nas horas que antecedem grandes bombardeios. Esse termômetro inusitado reflete o nervosismo e a incerteza que pairam sobre a região e o mundo.
A retórica beligerante ganhou força neste domingo, 17 de maio de 2026, quando Donald Trump publicou no Truth Social que “o tempo está se esgotando” para um acordo de paz com o Irã. “O tempo está se esgotando para o Irã, é melhor eles se mexerem logo, e rápido, ou não vai sobrar nada deles”, declarou o mandatário americano. Ele deve se reunir com sua equipe de segurança nacional na terça-feira, 19 de maio de 2026, para discutir possíveis ações militares, após uma conversa telefônica de mais de meia hora com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, no domingo. Veículos de mídia israelenses relataram que dezenas de aviões carregados com munições americanas, provenientes da Alemanha, já pousaram em Israel.
Em contrapartida, o Irã mantém uma postura desafiadora, mas indica continuidade nas negociações. Em entrevista à Al Jazeera nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, o porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, confirmou que as discussões com os EUA prosseguem, mediadas pelo Paquistão. A pasta anunciou ter respondido à proposta mais recente de Washington para encerrar o conflito. “Os pontos apresentados são exigências iranianas que têm sido firmemente defendidas pela equipe iraniana em cada rodada de negociações”, afirmou Baqaei, defendendo ainda que os EUA paguem reparações de guerra pelo que descreve como um conflito “ilegal e sem fundamento”.
Questionado sobre a possibilidade de um novo confronto militar, o porta-voz iraniano foi taxativo: Teerã está “preparado para qualquer eventualidade”. Relatos de veículos de mídia iranianos sugerem que os EUA teriam rejeitado demandas iranianas por compensação e teriam exigido a transferência do urânio enriquecido a 60% para os EUA. Os americanos teriam concordado em liberar apenas 25% dos bens iranianos congelados, condicionando o fim das hostilidades a negociações em andamento.
O Irã, por sua vez, exige um cessar-fogo imediato em todas as frentes, incluindo o Líbano, além da remoção de todas as sanções, reparações de guerra e o reconhecimento de seus direitos sobre o estratégico Estreito de Hormuz. A retaliação iraniana seria severa, segundo um porta-voz das Forças Armadas do país, que declarou a jornalistas iranianos no domingo que novos ataques levariam a uma ofensiva e reações contra bases e ativos americanos na região.
A dimensão da possível retaliação iraniana vai além dos alvos militares tradicionais, segundo análises de Trita Parsi, vice-presidente executivo do Quincy Institute. Em publicações no Substack e no X nesta segunda-feira, o especialista apontou que Teerã poderia buscar causar dano máximo contra os Emirados Árabes, visando especialmente seus datacenters. Tal estratégia não apenas prejudicaria as ambições dos Emirados de se tornarem um hub de IA, mas também serviria indiretamente aos interesses da China em sua competição tecnológica com os EUA.
Parsi ressaltou que Teerã compreende os interesses financeiros da família de Trump nos datacenters e na indústria de IA dos Emirados, tornando-os alvos ainda mais atraentes. Além disso, o analista alertou que o Irã estaria planejando interromper a passagem pelo Mar Vermelho, com o auxílio dos houthis, grupo armado do Iêmen apoiado por Teerã, e atacar cabos submarinos de fibra óptica no Golfo Pérsico, por onde transita o tráfego de internet dos países do Golfo. A interrupção dessas infraestruturas vitais afetaria diretamente a vida digital e a economia de milhões de pessoas na região, demonstrando a gravidade e o alcance do conflito iminente.
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