ESCOLHA CRUCIAL STF

Alckmin defende Lula em escolha para o STF

Geraldo Alckmin durante evento da Apex Brasil e Apas Show
Foto: Vinicius Filgueira/Poder360 - 18.mai.2026

Vice-presidente elogia Jorge Messias e reitera prerrogativa presidencial em indicação à Corte Suprema, em meio a tensões com o Senado.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) defendeu com veemência nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, a exclusiva prerrogativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para indicar ministros ao Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração, feita durante o evento Apas Show em São Paulo, surge como um reforço à intenção de Lula de reenviar ao Senado o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, cuja indicação para a mais alta Corte do país foi anteriormente rejeitada em 29 de abril. Este embate não é apenas sobre um nome, mas sobre o delicado equilíbrio de poderes e o futuro da interpretação da Constituição, impactando diretamente a segurança jurídica e a dignidade de milhões de brasileiros ao definir os rumos da justiça no país.

Ainda na capital paulista, durante o evento da Associação Paulista de Supermercados, Alckmin elogiou o perfil do advogado-geral da União. "A indicação de um ministro do STF é prerrogativa de um presidente. Vamos aguardar. O Jorge Messias é um jurista experiente e tem espírito público. Fez concurso para ser advogado do povo, para a AGU (Advocacia-Geral da União). Então, tem espírito público, preparo, experiência, foi professor de Direito", salientou o vice-presidente, reforçando a confiança na escolha presidencial e na qualificação do indicado.

Segundo informações divulgadas pelo Poder360, o presidente Lula comunicou a aliados sua intenção de submeter novamente a indicação de Messias ao Senado antes das eleições. Com essa atitude, o presidente busca reafirmar publicamente a soberania da atribuição presidencial na escolha dos integrantes do Supremo, um ponto crucial na relação entre Executivo e Legislativo.

Rejeição Inédita

A candidatura de Jorge Messias sofreu um revés significativo em 29 de abril, quando o Senado Federal rejeitou sua indicação. A votação registrou 42 votos contrários e 34 favoráveis, necessitando-se de, no mínimo, 41 votos dos 81 senadores para a aprovação do então AGU como ministro do Supremo. Esta decisão marcou um ponto histórico: foi a primeira rejeição de um nome para o STF em 132 anos de República, um fato que ressalta a magnitude do tensionamento político.

A derrota do governo no Senado foi amplamente atribuída à falta de apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Alcolumbre, por sua vez, manifestava preferência pela indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga no Supremo, evidenciando divisões internas e estratégias políticas divergentes. A escolha inicial de Messias por Lula gerou atrito com o Congresso, pois o Legislativo não foi consultado previamente sobre a indicação, levantando questionamentos sobre a coordenação entre os poderes.

Críticas no Setor Produtivo

A Apas Show também se tornou palco para intensas críticas direcionadas ao governo Lula, especialmente no que tange ao projeto de lei que propõe o fim da escala de trabalho 6x1. A iniciativa prevê uma transição para o modelo 5x2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso, além da redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. Setores produtivos, contudo, expressam preocupação com o impacto econômico dessa medida.

Organizações do setor produtivo alertaram que a redução da jornada laboral, sem um correspondente aumento de produtividade, poderia prejudicar a competitividade do setor e frear o crescimento da economia nacional. Ivo Dall’Acqua, presidente da Fecomércio-SP, declarou enfaticamente: “Quando uma economia reduz jornada de trabalho sem ganho correspondente de produtividade, reduz sua capacidade de crescer”, sublinhando o potencial impacto negativo em empregos e na capacidade de investimento.

Em sua participação, Alckmin buscou amenizar as tensões, iniciando sua fala com a promessa de "boas notícias" e apresentando um balanço de medidas governamentais que, segundo ele, beneficiam o setor. "Vamos buscar um bom entendimento na questão da jornada", garantiu Alckmin, adotando um tom conciliador. "A política é essa arte do abraço coletivo, do bem comum", concluiu o vice-presidente, buscando uma aproximação com os supermercadistas e empresários presentes no evento.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), também marcaram presença na Apas Show, sendo ambos elogiados pelo empresariado em seus respectivos discursos, o que sugere um alinhamento com as pautas do setor.

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