ESTABILIDADE E JUROS
Ajuste fiscal e controle de gastos são vitais para queda da Selic, diz C6 Bank
Economista-chefe Filipe Salles defende moderação no Orçamento para ancorar a inflação. Instituição prevê Selic em 14% ao ano até o fim de 2026.
O Banco Central poderá reduzir a taxa básica de juros, a Selic, de forma sustentável apenas se o governo brasileiro realizar um ajuste fiscal focado na contenção do crescimento dos gastos públicos. A avaliação foi feita por Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, em entrevista concedida na quarta-feira (19/08/2026).
Durante a conversa, o especialista destacou que não seria necessário adotar cortes agressivos nas despesas, mas sim implementar um controle rigoroso sobre a velocidade de expansão do Orçamento. Para Salles, a estratégia é essencial para garantir previsibilidade à economia.
DESACELERAÇÃO NECESSÁRIA
O economista observa que a economia brasileira iniciou um processo gradual de desaceleração, evidenciado pelo recuo de 0,6% no IBC-Br em junho. Salles define o movimento como saudável, argumentando que o país cresceu acima de seu potencial durante um longo período, o que pressionou a inflação de serviços.
Utilizando a analogia de um motor, Salles explicou que a atividade econômica precisa operar em um ritmo que não sobrecarregue a demanda. "Pense na economia como um motor. Se ele funcionar em uma velocidade acima daquilo que consegue, aquece, o que significa mais inflação", afirmou.
Para trazer o IPCA de volta ao centro da meta de 3% — considerando que a inflação acumulada em 12 meses atingiu 4,44% em julho de 2026 —, a moderação na atividade torna-se um requisito técnico indispensável.
PROJEÇÕES DE JUROS E CÂMBIO
O C6 Bank projeta a manutenção da Selic em 14% ao ano para o restante de 2026. Em relação ao câmbio, a estimativa é que o dólar encerre o período cotado a R$ 5,20. Contudo, o economista aponta um viés de alta devido às incertezas persistentes sobre as contas públicas.
A preocupação fiscal, segundo Salles, é um fenômeno global que atinge economias como Japão, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e França. No cenário norte-americano, o economista alerta que o Fed (Federal Reserve) poderá elevar os juros novamente este ano, o que tende a fortalecer o dólar e elevar o prêmio de risco em emergentes como o Brasil.
EDUCAÇÃO COMO GARGALO DA PRODUTIVIDADE
Ao abordar os entraves estruturais do Brasil, Salles enfatizou que a baixa produtividade é um desafio crítico. Com crescimento médio de apenas 0,5% ao ano nas últimas três décadas, o país carece de um salto qualitativo na educação.
"O número de formandos no 2º grau aumentou, mas testes internacionais mostram que boa parte dos alunos não está conseguindo entender aquilo que é ensinado", pontuou. Para o especialista, elevar a qualidade do ensino é a única via sustentável para aumentar a renda e a produtividade no longo prazo.
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