PETRÓLEO NO CEARÁ

Agricultor pode lucrar com petróleo encontrado no Ceará?

Agricultor Sidrônio Moreira em seu sítio com um pote contendo líquido escuro.
Agricultor Sidrônio Moreira segura pote com líquido encontrado ao cavar poço em seu sítio no Ceará. Foto: Gabriela Feitosa/g1

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou que o líquido achado por um agricultor é petróleo cru. Entenda quem tem direito ao recurso e os próximos passos para uma possível exploração.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou nesta terça-feira, 19 de maio de 2026, que o líquido encontrado pelo agricultor Sidrônio Moreira, de 63 anos, é petróleo cru. A descoberta ocorreu enquanto ele perfurava um poço em busca de água em sua propriedade no município de Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará. A confirmação levanta a questão sobre a possibilidade de o dono do terreno lucrar com a substância encontrada.

Apesar de a descoberta ter sido feita dentro de sua propriedade, Sidrônio não terá a posse direta do petróleo. A Constituição Federal estabelece que o subsolo e seus recursos minerais, como petróleo e gás natural, pertencem à União. No entanto, o agricultor poderá ser financeiramente compensado caso a área venha a ser explorada comercialmente no futuro.

A legislação brasileira prevê que proprietários de terrenos com produção de petróleo podem receber um percentual sobre a exploração, que pode atingir até 1%, dependendo de fatores técnicos e econômicos. Em resumo, Sidrônio não poderá vender o petróleo por conta própria, mas pode ser beneficiado financeiramente se a exploração comercial da área se concretizar.

A exploração da área ainda depende de estudos técnicos e de viabilidade econômica. A ANP informou que uma fase de avaliação será aberta para determinar o tamanho da reserva, a qualidade do petróleo e a viabilidade da operação. Não há prazo definido para a conclusão desses estudos, pois muitas áreas com ocorrência de petróleo podem não ser exploradas devido a quantidades insuficientes, custos de extração elevados ou baixa qualidade do óleo.

O processo para eventual extração é longo e complexo. Antes de qualquer atividade, a ANP precisa delimitar as áreas de exploração, que podem ser incluídas em leilões públicos para empresas interessadas. Essa etapa envolve estudos geológicos, análises ambientais, licenciamento e a instalação de estruturas de produção, podendo levar anos.

O engenheiro Adriano Lima, que auxiliou a família de Sidrônio a contatar a ANP, explicou que a viabilidade econômica é um fator determinante. "O custo de se montar uma unidade de produção numa região tem que ser equivalente ao retorno que a operação vai ter", afirmou. O interesse das empresas, segundo ele, depende da quantidade, qualidade e tempo estimado de produção do petróleo.

A descoberta chamou atenção por ter ocorrido em uma profundidade considerada rasa, cerca de 40 metros. A família comunicou oficialmente o caso à ANP em julho de 2025, e a primeira visita da agência ao local ocorreu em março de 2026. Técnicos analisaram amostras coletadas pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE) e identificaram semelhanças com petróleo extraído em jazidas da região vizinha do Rio Grande do Norte. Tabuleiro do Norte está localizado a aproximadamente 210 quilômetros de Fortaleza, próximo à Bacia Potiguar.

Enquanto os estudos prosseguem, a ANP orientou que o local permaneça isolado e que os moradores evitem contato com o material. A Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará (Semace) também foi notificada e poderá avaliar possíveis medidas ambientais. A família de Sidrônio, apesar da descoberta, continuou enfrentando dificuldades com o abastecimento de água, sendo atendida por uma adutora reativada após a repercussão do caso.

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