PETRÓLEO NO CEARÁ
Agricultor no Ceará celebra confirmação de petróleo em seu sítio
Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou em 20 de maio de 2026 a descoberta. A família de Sidrônio Moreira aguarda avaliação para possível exploração comercial, que pode levar anos.
A esperança de exploração comercial ganhou força para a família do agricultor Sidrônio Moreira após a Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmar, na quarta-feira, 20 de maio de 2026, que o líquido encontrado em seu sítio, no interior do Ceará, é petróleo. A descoberta acidental ocorreu em 2024, quando Sidrônio perfurava o solo em busca de água e se deparou com uma substância densa e escura.
O achado foi na propriedade rural de Sidrônio em Tabuleiro do Norte, município cearense próximo à divisa com o Rio Grande do Norte e à Bacia Potiguar, região já conhecida pela exploração de petróleo em terra. A família aguarda agora a avaliação da ANP sobre o tamanho das reservas e a viabilidade econômica da extração, um processo que pode se estender por anos.
Saullo Moreira, filho de Sidrônio e gerente de vendas, expressou o anseio da família por um retorno financeiro que possa auxiliar na vida, apesar de compreenderem a longa jornada que ainda se inicia. "Por enquanto, tudo o que tivemos foram custos e movimentações relacionadas à descoberta. Nossa esperança é que, se tudo avançar positivamente no futuro, possamos ter algum retorno que nos ajude financeiramente", declarou Saullo.
Sidrônio Moreira, que buscava água para sua propriedade, descreveu a surpresa ao encontrar o líquido preto e denso. A notícia da confirmação, recebida na noite de quarta-feira (20), trouxe satisfação ao agricultor, que já esperava por um desfecho positivo após ser informado para aguardar. "Vamos esperar o primeiro passo, que tudo corra em paz e isso saia logo", comentou.
Apesar da descoberta em seu terreno, Sidrônio não terá a posse direta do petróleo, pois a Constituição Federal estabelece que os recursos minerais do subsolo pertencem à União. No entanto, a legislação prevê compensação financeira para proprietários de terras onde ocorre produção de petróleo, com um percentual que pode chegar a até 1% da exploração, a depender de fatores técnicos e econômicos. Em resumo, Sidrônio poderá ser financeiramente beneficiado se a área for explorada comercialmente.
A ANP informou que não há prazo definido para a conclusão da avaliação técnica da área, e a exploração comercial não é garantida, pois depende do interesse e da viabilidade financeira das empresas. Antes disso, a agência avaliará a inclusão da área em blocos exploratórios na Oferta Permanente de Concessão, processo que envolve diversas etapas internas e a consulta a outros órgãos, incluindo ambientais.
O processo completo, desde a descoberta até a eventual instalação da operação, pode levar anos. A ANP enviou as conclusões dos testes físico-químicos, que confirmaram o petróleo cru, para a Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Estado do Ceará (Semcae) para avaliação de aspectos ambientais.
A descoberta ocorreu de forma acidental em novembro de 2024, quando Sidrônio, que não possuía água encanada, buscava formar um poço artesiano. O líquido achado a uma profundidade de cerca de 40 metros chamou a atenção pela cor escura e cheiro de combustível. A família comunicou a ANP em julho de 2025, e a agência realizou visitas e testes que culminaram na confirmação em maio de 2026.
Para viabilizar a perfuração, Sidrônio havia contraído um empréstimo de R$ 15 mil, cujo pagamento foi adiado por um ano após negociação com o banco. A família também voltou a receber água de uma adutora antiga após a repercussão do caso. A ANP orientou o isolamento da área e o cuidado com o material, por possíveis riscos à saúde.
O engenheiro Adriano Lima, que auxiliou a família a contatar a ANP, explicou que a avaliação da área envolve estudos geológicos, econômicos e ambientais para determinar a viabilidade de sua inclusão como um novo bloco para exploração. No entanto, nem toda área mapeada se torna economicamente atrativa para as empresas devido a fatores como tamanho da jazida, custos de extração ou qualidade do petróleo.
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