TURISMO
Ex-secretário nacional de Segurança diz que violência afasta turistas do Brasil
José Vicente da Silva aponta que criminalidade mina imagem do país; facções movimentam até R$ 150 bilhões.
A percepção internacional sobre a segurança pública no Brasil emerge como um dos principais entraves ao turismo estrangeiro, conforme revelou o ex-secretário nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva. Sua análise contundente, apresentada no programa Marca Brasil da CNN, cujas divulgações sobre uma pesquisa de impacto global foram finalizadas no domingo, 17 de maio de 2026, aponta que a criminalidade e a disseminação de facções poderosas deterioram a imagem do país. A restrição no fluxo de visitantes afeta diretamente a economia e a reputação nacional, impactando negativamente a dignidade social e a capacidade do Brasil de atrair investimentos e intercâmbios culturais.
Para José Vicente da Silva, o setor turístico global se sustenta em três pilares: a atratividade singular de um destino, o custo-benefício oferecido e, crucialmente, a ausência de fatores de violência. Ele avalia que o Brasil, embora rico em belezas naturais e cultura, falha dramaticamente no quesito segurança, comprometendo de forma irreversível sua reputação no cenário internacional e minando as expectativas de quem busca conhecer o país.
Violência expõe o Brasil ao mundo
O ex-secretário ressaltou o poder das imagens na formação da opinião global. Cenários de arrastões em praias, confrontos policiais intensos e incursões de forças de segurança em favelas, muitas vezes com helicópteros e armamento pesado, circulam rapidamente e com grande destaque na imprensa internacional. Essa exposição constante, embora atraente para o noticiário, esculpe uma percepção de risco elevada entre os turistas estrangeiros, afastando potenciais visitantes e diminuindo o interesse em vivenciar as riquezas brasileiras.
Facções criminosas expandem poder
Apesar de uma aparente diminuição da violência trivial nas ruas, José Vicente da Silva alertou para uma ameaça mais profunda e organizada: o fortalecimento e a expansão de estruturas criminosas. Ele detalhou que essas organizações ganham terreno por todo o Brasil, infiltrando-se com surpreendente vigor em esferas públicas e comprometendo a segurança e a liberdade dos cidadãos em suas próprias comunidades.
O poder financeiro dessas facções também é um ponto de grande preocupação. Silva revelou que a movimentação de recursos pelas maiores organizações criminosas brasileiras ultrapassa, e muito, os R$ 15 bilhões anuais estimados apenas no tráfico de drogas. As cifras reais, segundo ele, chegam a impressionantes R$ 150 bilhões, abrangendo diversas outras atividades ilícitas. Esse gigantismo financeiro e operacional não passa despercebido pelos olhos do mundo, consolidando uma imagem de instabilidade que prejudica diretamente a reputação do Brasil como um lugar seguro e atrativo para o turismo e investimentos.
O alcance da pesquisa Marca Brasil
A pesquisa internacional "Marca Brasil", cujos resultados foram amplamente divulgados pela CNN Brasil, envolveu entrevistas com cidadãos de uma vasta gama de países. Foram ouvidas pessoas do México, Argentina, EUA, Canadá, China, Japão, Índia, Emirados Árabes, África do Sul, Angola, Moçambique, Rússia, Reino Unido, Suíça, Alemanha, França, Itália, Espanha, Polônia, Holanda, Grécia, Bélgica, Portugal, Suécia, Áustria e Dinamarca, fornecendo uma visão global multifacetada sobre a percepção do Brasil.
Responsável pela metodologia e condução da pesquisa, a OnStrategy, fundada em 2009 e com sede em Lisboa, atua como consultora multidisciplinar. Sua especialidade é a gestão do valor de marcas, com foco na criação, construção e otimização do impacto econômico e financeiro de negócios e marcas no mercado global.
A CNN Brasil dedicou uma cobertura especial aos resultados, com detalhamento no portal e redes sociais ao longo da semana. A programação culminou com um programa ao vivo, transmitido no domingo, 17 de maio de 2026, com uma hora de duração. Apresentado por Iuri Pitta e Elisa Veeck, o especial promoveu debates aprofundados com especialistas, explorando os achados da pesquisa e seus impactos nos cenários da política, agronegócio e, principalmente, segurança pública.
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