PRIVACIDADE EM RISCO
Alemanha avalia proibição de óculos da Meta por falhas de privacidade
Hamburgo investiga gravações não autorizadas realizadas pelos óculos Ray-Ban Meta e articula restrições junto à União Europeia devido à difícil fiscalização.
Autoridades alemãs analisam a possibilidade de proibir os óculos inteligentes da Meta devido à crescente preocupação com gravações captadas sem o consentimento de terceiros. A discussão, intensificada por reguladores de privacidade, questiona a viabilidade de fiscalizar o uso do dispositivo em espaços públicos.
O comissário de proteção de dados e liberdade de informação de Hamburgo, Thomas Fuchs, declarou à emissora pública ARD que seu gabinete já monitora o caso e aplica penalidades por filmagens proibidas. A medida busca conter infrações à legislação local, que veda estritamente a captação de imagens de estranhos sem autorização prévia.
A ONG HateAid reforça que a popularização do Ray-Ban Meta democratiza o acesso a tecnologias de vigilância invasiva, facilitando o assédio. Em Potsdam, autoridades já estudam normas protetivas específicas para locais frequentados por públicos vulneráveis, como piscinas, onde o receio de gravações clandestinas por desconhecidos tem crescido.
Testes realizados pela equipe de Fuchs revelaram que a luz de LED instalada no equipamento, projetada para indicar o funcionamento da câmera, é praticamente invisível sob a luz natural. Essa deficiência técnica é o argumento central para a defesa de uma proibição total do aparelho no país.
O processo de restrição segue em fase de avaliação técnica e jurídica. Atualmente, o gabinete de Hamburgo mantém tratativas com autoridades da Irlanda, sede da Meta na União Europeia, visando a criação de uma regulação abrangente que impeça a comercialização ou o uso do dispositivo nos moldes atuais.
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