SUSTENTABILIDADE NO LUXO
União Europeia proíbe destruição de roupas e acessórios de luxo não vendidos
Marcas como Burberry, LVMH, Chanel e Prada deverão adotar novos modelos de gestão de estoque para evitar desperdício e alinhar-se a metas ambientais do bloco.
Grandes empresas de moda que operam na União Europeia foram proibidas de destruir produtos têxteis, calçados e acessórios que não forem comercializados. A decisão, anunciada nesta semana, visa encerrar a prática de incinerar ou descartar estoques novos para manter a exclusividade das marcas, uma estratégia que impacta diretamente as metas climáticas e a economia circular do bloco.
A medida força o setor a repensar processos produtivos que, historicamente, priorizavam a escassez artificial em detrimento do impacto ambiental. Segundo a Agência Europeia do Meio Ambiente, o descarte de itens novos atinge entre 264 mil e 600 mil toneladas anualmente, volume que Bruxelas considera incompatível com os compromissos de sustentabilidade atuais.
Agora, as grifes terão de destinar esses itens a canais de liquidação, doações, reparos ou reciclagem. A destruição só será permitida em casos específicos de avaria, risco à saúde ou falsificação. A norma, que desafia o modelo de negócios de gigantes como LVMH, Chanel e Prada, impõe uma mudança cultural e logística para que a preservação da marca não ocorra à custa do planeta.
Historicamente, casos como o da Burberry, que admitiu em 2018 ter queimado milhões em mercadorias para evitar desvalorização, e da Coach, cujas práticas foram expostas em 2021, tornaram-se símbolos da urgência por essa regulamentação. O desafio agora reside em manter o valor percebido das coleções sem recorrer ao descarte deliberado, forçando as marcas a otimizarem sua produção ou a controlarem, elas mesmas, o mercado secundário de seus bens.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário