MUDANÇA NA JORNADA

Fim da escala 6x1 divide senadores potiguares na CCJ do Senado

Senadores durante votação na CCJ do Senado Federal.
Senadores do RN se dividem na votação do fim da escala 6x1

Comissão aprova PEC que reduz carga semanal para 40 horas e garante dois dias de descanso. Rogério Marinho votou contra, enquanto Zenaide e Styvenson apoiaram.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (02/09) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6x1. A decisão, que visa equilibrar o convívio social e o bem-estar do trabalhador, reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas e estabelece dois dias de repouso remunerado por semana, sem redução salarial. A matéria segue agora para apreciação do Plenário da Casa.

A votação revelou divergências entre os representantes do Rio Grande do Norte. O senador Rogério Marinho (PL) manifestou-se contrário à medida e chegou a propor emenda para flexibilizar a jornada, enquanto os senadores Zenaide Maia (PSD) e Styvenson Valentim (Podemos) declararam apoio à proposta.

O parecer, relatado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), foi aprovado por votação simbólica. Entre os 27 parlamentares presentes, apenas Rogério Marinho, Jaime Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Tereza Cristina (PP-MS) posicionaram-se contra o texto.

Durante a sessão, o relator defendeu que a mudança busca atualizar a legislação trabalhista brasileira, mantida inalterada há 38 anos. Segundo o senador Omar Aziz, a redução da carga horária pode impactar positivamente a vida de mais de 37 milhões de trabalhadores, conciliando maior produtividade com tempo dedicado à vida pessoal.

Em contrapartida, Rogério Marinho argumentou que a imposição de um modelo rígido na Constituição pode prejudicar a adaptabilidade do mercado. O senador defendeu a flexibilidade para que empregadores e empregados definam escalas conforme a realidade de cada setor, alertando para possíveis impactos nos custos operacionais das empresas.

A implementação da medida ocorrerá de forma gradual. Dois meses após a promulgação da emenda, a jornada cai para 42 horas semanais. Após 14 meses, o limite será reduzido definitivamente para 40 horas. A proposta garante a preservação integral dos salários e pisos vigentes.

Para entrar em vigor, a PEC precisa ser aprovada pelo Plenário do Senado em dois turnos, alcançando pelo menos 49 votos favoráveis em cada votação. Caso o texto final sofra alterações, a proposta retornará à Câmara dos Deputados para nova análise antes da promulgação pelo Congresso Nacional.

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