CANNABIS E TESTOSTERONA
Uso de cannabis pode elevar nível de testosterona, aponta estudo da UNIGE
Pesquisa com recrutas suíços sugere que consumo da substância não apenas não reduz, como pode aumentar a síntese testicular do hormônio em jovens. Novos biomarcadores também foram identificados.
Um estudo realizado pela UNIGE (Universidade de Genebra), em colaboração com o Centro Suíço de Toxicologia Humana Aplicada, sugere que o consumo de cannabis por homens jovens pode não apenas manter, mas até elevar os níveis de testosterona, contrariando crenças populares.
A pesquisa, publicada na última sexta-feira, 14 de junho de 2026, investigou o perfil hormonal de 94 recrutas suíços, com idades entre 18 e 23 anos. Desses, 47 eram usuários de cannabis e 47 não eram, permitindo uma análise comparativa detalhada.
Os pesquisadores da Faculdade de Genebra analisaram centenas de hormônios esteroides. Os resultados indicaram que os usuários de cannabis apresentaram níveis de testosterona aproximadamente 23% mais elevados em comparação aos não usuários. Essa elevação parece estar ligada à produção hormonal nas células de Leydig nos testículos, responsáveis pela síntese da testosterona.
Além dos níveis hormonais, o estudo identificou dois novos potenciais biomarcadores associados ao uso da substância: a hidroxiprogesterona e a di-hidroprogesterona. Estes metabólitos derivados da progesterona apresentaram concentrações significativamente maiores em usuários de cannabis, podendo auxiliar na detecção do consumo regular.
Apesar dos achados, os especialistas ressaltam que o aumento da testosterona não deve ser automaticamente interpretado como um indicador de melhora na fertilidade masculina. A relação entre níveis hormonais e a qualidade do esperma é complexa e ainda objeto de estudo.
Uma das hipóteses levantadas é que o organismo possa estar tentando compensar uma possível redução na sensibilidade dos receptores de andrógenos, efeito que a cannabis poderia causar. Os cientistas afirmam que ainda são necessárias mais pesquisas para determinar as consequências clínicas do consumo regular da substância para a fertilidade masculina.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo
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