VIDA SAUDÁVEL

Saiba como identificar a pré-diabetes e reverter o quadro

Imagem de uma mulher medindo a glicose no sangue com um medidor, simbolizando a prevenção e o controle da pré-diabetes.
Mulher monitora sua glicemia. A detecção precoce é crucial para prevenir complicações da pré-diabetes.

Médicos alertam para “sinal amarelo” do metabolismo, que exige atenção e pode ser revertido em até seis meses.

Atualmente, a comunidade médica, incluindo especialistas da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp) e membros da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), reforça a importância de identificar precocemente a pré-diabetes. Esta condição, vista como um “sinal amarelo” do metabolismo, representa uma oportunidade crucial para evitar a progressão para a diabetes tipo 2 e suas consequências devastadoras à saúde, como danos ao coração, olhos e rins. A detecção e intervenção antecipada podem reverter o quadro, protegendo a dignidade e a qualidade de vida de milhões de indivíduos em risco nesta domingo, 19/04/2026.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a diabetes é uma doença metabólica caracterizada por níveis elevados de glicose no sangue, ou seja, de açúcar. Com o tempo, essa condição pode desencadear danos graves ao coração, olhos, rins e nervos, entre outros órgãos. Antes de evoluir para a doença plena, existe a pré-diabetes, um estágio anterior.

Em entrevista à coluna Claudia Meireles, a endocrinologista Carolina Janovsky explica que a pré-diabetes é um “sinal amarelo” para o metabolismo. “É quando a glicose no sangue está acima do normal, mas ainda não chegou à faixa de diabetes”, esclarece. Segundo a médica, o corpo começa a responder pior à insulina nesse cenário, e os níveis de açúcar na corrente sanguínea iniciam uma elevação.

“Hoje, a pré-diabetes é definida por A1C (hemoglobina glicada) entre 5,7% e 6,4%, glicemia em jejum entre 100 e 125 mg/dL, ou glicose de duas horas no teste oral de tolerância entre 140 e 199 mg/dL. A A1C é especialmente útil porque mostra a média da glicose nos últimos dois a três meses”, detalha a professora de pós-graduação em endocrinologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp).

Membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Carolina esclarece que pessoas com pré-diabetes geralmente não apresentam sintomas, e a condição só é descoberta através de exames. “Como é quase sempre silenciosa, a melhor forma de identificá-la é pelo rastreamento”, defende. Com base nas diretrizes atuais, recomenda-se iniciar o rastreamento a partir dos 35 anos. Contudo, indivíduos com excesso de peso e fatores de risco, como histórico familiar de diabetes, diabetes gestacional prévia ou ovários policísticos, devem começar a investigação mais cedo.

“Quem tem pré-diabetes deve repetir exames pelo menos uma vez por ano. Se o resultado for limítrofe ou houver alguma dúvida, o médico pode reavaliar antes”, orienta a endocrinologista.

Com relação ao tempo necessário para a reversão da condição, Caroline enfatiza que “não existe um prazo igual para todos”. “Como a hemoglobina glicada reflete os últimos dois a três meses e a reavaliação costuma ser feita em três a seis meses, essa é a janela mais realista para começar a observar melhora nos exames”. Conforme a endocrinologista, programas estruturados utilizados em estudos indicam que a fase mais fácil para reverter a pré-diabetes tende a ser nos primeiros seis meses.

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