DEFESA DO CÉREBRO
Molécula experimental restaura defesa do cérebro contra Alzheimer, revelam estudos
Composto OLE demonstrou capacidade de revitalizar a ação protetora da microglia e reduzir acúmulo de placas amiloides em testes com animais. Novas pesquisas são essenciais para confirmar eficácia em humanos.
Uma molécula experimental, denominada OLE, pode reativar as defesas naturais do cérebro contra a doença de Alzheimer. A descoberta, realizada por pesquisadores do Instituto de Neurociências da Espanha e da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, identificou um composto capaz de restaurar funções cruciais da microglia, as células de defesa do sistema nervoso. Essa importante descoberta foi publicada em 27 de abril na revista Cell Death and Disease.
Nos experimentos, a molécula OLE não só reduziu a toxicidade de placas associadas ao Alzheimer, mas também aprimorou o desempenho em testes de memória em camundongos. O composto atua sobre a microglia, que tem um papel vital na eliminação de resíduos e proteínas nocivas. Contudo, com o avanço da doença, essa capacidade protetora se deteriora.
“Uma das descobertas mais significativas é que identificamos uma molécula capaz de restaurar a função protetora da microglia. Nossos resultados sugerem que esse processo pode ser revertido, apontando para novas possibilidades de pesquisa e tratamento da doença”, explicou o pesquisador José Vicente Sánchez Mut, um dos autores do estudo.
A doença de Alzheimer está ligada ao acúmulo da proteína beta-amiloide, cujas placas prejudicam a comunicação neuronal e causam degeneração cerebral. A OLE, conforme observado, estimula a microglia a se mobilizar em direção a essas placas, formando uma barreira que as torna menores e menos tóxicas para os neurônios, limitando assim os danos.
Testes em vermes geneticamente modificados para produzir beta-amiloide mostraram que a OLE reduziu o acúmulo de proteínas anormais e melhorou a mobilidade. Em camundongos com características semelhantes ao Alzheimer humano, a administração da molécula por três meses resultou em melhor performance em testes de memória e diminuição das placas beta-amiloides.
Análises detalhadas indicaram que a microglia foi a célula com maior resposta ao tratamento. “A análise de células individuais nos permitiu determinar que a microglia foi a que respondeu mais fortemente ao tratamento. Observamos que o composto ajudou essas células a se moverem em direção às placas de beta-amiloide e a conter melhor os danos associados à doença”, afirmou Victoria Pozzi, primeira autora do estudo.
Experimentos adicionais em laboratório com culturas de células confirmaram que a microglia tratada com OLE demonstrou maior capacidade de migrar e auxiliar na eliminação dos depósitos de beta-amiloide. Neurônios expostos a condições semelhantes às do Alzheimer também apresentaram maior taxa de sobrevivência após o tratamento.
Apesar do potencial promissor, os autores enfatizam que os testes foram restritos a modelos experimentais. São necessários novos estudos para verificar se os benefícios da molécula OLE podem ser replicados em seres humanos.
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