SAÚDE E NEUROLOGIA

Assistir TV na meia-idade pode estar ligado a alterações cerebrais ligadas ao Alzheimer

Pessoa assistindo televisão na meia-idade em um sofá.
Assistir muita TV na meia-idade pode estar ligado a alterações cerebrais associadas ao Alzheimer, aponta estudo — Foto: Adobe Stock

Estudo publicado na revista Alzheimer's & Dementia aponta que o contexto do comportamento sedentário é determinante para a saúde do cérebro.

O hábito de passar longas horas assistindo à televisão durante a meia-idade pode estar diretamente associado a alterações em regiões do cérebro vulneráveis ao Alzheimer, segundo um estudo publicado na revista Alzheimer's & Dementia nesta segunda-feira, 20/07/2026. A investigação científica busca compreender como o estilo de vida impacta a longevidade cognitiva, revelando que a natureza da atividade sedentária — e não apenas o tempo sentado — é um fator crucial para a preservação da estrutura neurológica.

Os pesquisadores analisaram dados do estudo americano ARIC (Atherosclerosis Risk in Communities), acompanhando 1.712 adultos por cerca de 24 anos. O objetivo foi diferenciar o impacto de atividades passivas, como ver TV, daquelas com maior carga cognitiva, como o trabalho sedentário.

Diferenças na estrutura cerebral

Os exames de ressonância magnética demonstraram que indivíduos com alta frequência de exposição à televisão apresentaram um maior volume de hiperintensidades da substância branca — um marcador de doenças vasculares cerebrais — além de uma redução no volume das regiões frontal, occipital e das áreas de assinatura da doença de Alzheimer.

Em contraste, o comportamento sedentário relacionado ao trabalho não exibiu os mesmos danos, sugerindo que o estímulo cognitivo proporcionado pelo ambiente profissional pode oferecer um efeito protetivo que a televisão, considerada uma atividade passiva, não consegue replicar.

O papel do contexto cognitivo

David Raichlen, professor de Ciências Biológicas e Antropologia da USC Dornsife, enfatiza que a ciência precisa ir além da métrica de "tempo sentado". Segundo ele, a qualidade do que fazemos enquanto estamos sentados é determinante para o envelhecimento cerebral.

Mesmo após o ajuste de variáveis como IMC, hipertensão, diabetes, prática de exercícios e escolaridade, a correlação entre assistir TV e a redução do volume cerebral persistiu. O estudo notou ainda que homens apresentaram maior suscetibilidade a essas alterações do que mulheres.

Natan Feter, autor correspondente do estudo e pesquisador de pós-doutorado da USC Dornsife, reforça a necessidade de atualizar as recomendações de saúde pública. "Frequentemente incentivamos o público a não passar muito tempo sentado, mas os especialistas podem querer ampliar essa recomendação para abranger as atividades realizadas enquanto se está sentado", afirma.

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