AVANÇO NA ONCOLOGIA
Lorbrena da Pfizer supera Xalkori em sobrevida para câncer de pulmão ALK-positivo
Estudo CROWN, apresentado no ASCO 2026, demonstra eficácia superior do Lorbrena em inibir progressão de CPNPC ALK-positivo, com 55% de pacientes livres da doença após 7 anos.
Em uma decisão que promete redefinir o tratamento para pacientes com câncer de pulmão CPNPC (não pequenas células) ALK-positivo, o medicamento Lorbrena, desenvolvido pela Pfizer, demonstrou uma taxa de sobrevida livre de progressão de 55% após sete anos. A informação, apresentada no Congresso Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) de 2026 em Chicago, nos Estados Unidos, e publicada simultaneamente na revista Annals of Oncology, revela um avanço notável no combate à doença.
O estudo CROWN, um ensaio clínico de Fase 3, comparou o Lorbrena ao Xalkori. Os resultados completos indicam que 55% dos pacientes tratados com Lorbrena permaneceram vivos e sem avanço da doença após o período de acompanhamento de sete anos. Em contrapartida, o Xalkori apresentou uma taxa de apenas 3% de pacientes vivos sem progressão tumoral no mesmo intervalo.
Uma análise atualizada dos dados reforça a superioridade do Lorbrena. A mediana de sobrevida livre de progressão não foi atingida com o novo medicamento, evidenciando uma redução de 81% no risco de progressão da doença ou morte quando comparado ao Xalkori. Essa distinção representa um impacto direto na dignidade e na esperança dos pacientes e seus familiares, ao oferecer mais tempo de vida com qualidade.
O Lorbrena também se destacou na prevenção e controle de metástases cerebrais, com uma redução de 94% no risco de ocorrência de câncer intracraniano. Enquanto a mediana de tempo até a progressão no sistema nervoso central não foi atingida com o Lorbrena, o Xalkori apresentou um tempo médio de 16,4 meses. Esses resultados são cruciais para a preservação da função cognitiva e da qualidade de vida dos pacientes.
A segurança do Lorbrena foi consistente com os achados anteriores, sem novos sinais de alerta. Os eventos adversos mais comuns relatados foram inchaço, ganho de peso, neuropatia periférica, efeitos cognitivos, alterações de humor, diarreia, dispneia, dor articular, hipertensão, cefaleia, tosse, febre, hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia. Eventos graves de graus três e quatro ocorreram em 77% dos pacientes com Lorbrena e 57% com Xalkori, enquanto a descontinuação permanente do tratamento por efeitos colaterais foi de 5% para Lorbrena e 6% para Xalkori.
Aprovado pela Anvisa no Brasil em 2020 para pacientes com CPNPC avançado ALK-positivo sem resposta a outros tratamentos, o Lorbrena teve seu registro expandido para tratamento de primeira linha em 2021 e foi incorporado ao rol de cobertura obrigatória em planos de saúde em 2022. Essa trajetória regulatória reflete o reconhecimento da importância do medicamento.
O câncer de pulmão, principal causa de mortes por câncer globalmente, afeta milhares de brasileiros anualmente. O CPNPC responde por cerca de 75% a 80% dos casos, com tumores ALK-positivos representando uma parcela específica (3% a 5%), mas que pode desenvolver metástases em até dois anos, impactando significativamente a sobrevida e a qualidade de vida.
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