SAÚDE NEUROLÓGICA

Hábitos diários podem desencadear crises de epilepsia

Mulher com a mão na cabeça, representando estresse ou insônia, fatores que podem agravar a epilepsia.
A privação de sono é um dos fatores comportamentais que podem desencadear crises epilépticas, alertam especialistas.

O neurologista Marcus Tullius alerta que privação de sono, estresse e consumo de álcool são gatilhos, mas 70% dos pacientes conseguem controle com tratamento adequado.

A epilepsia, uma das doenças neurológicas crônicas mais comuns no mundo, impacta milhões de vidas com crises que, muitas vezes, parecem imprevisíveis. No entanto, o neurologista Marcus Tullius tem destacado que diversos fatores comportamentais desempenham um papel crucial tanto no desenvolvimento quanto no desencadeamento dessas crises. A conscientização sobre o impacto da privação de sono, estresse e consumo excessivo de álcool como gatilhos é fundamental para pacientes e cuidadores, pois oferece uma perspectiva de maior controle sobre a condição e eleva a qualidade de vida, especialmente para os 50 milhões de pessoas afetadas globalmente.

As estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que aproximadamente 50 milhões de pessoas em todo o planeta convivem com a epilepsia. Deste total, cerca de 70% residem em países de baixa e média renda, onde o acesso a diagnóstico e tratamento adequado é ainda mais desafiador. Essa realidade sublinha a urgência de disseminar informações claras e acessíveis sobre a doença.

Doença de Múltiplas Faces: Fatores Genéticos e Adquiridos

Dr. Marcus Tullius ressalta que, embora a origem da epilepsia possa ter um componente genético, a prática médica revela que muitos casos estão diretamente ligados a fatores adquiridos ao longo da vida. "Acidente vascular cerebral, traumatismo craniano, infecções do sistema nervoso e tumores cerebrais figuram entre as principais causas. Contudo, em uma parcela significativa dos pacientes, não conseguimos identificar um motivo único para o surgimento da condição", explica o neurologista.

Crises Sutis e Fases da Vida

A epilepsia pode se manifestar em qualquer etapa da vida, mas exige atenção redobrada no envelhecimento. Nessa fase, a população se torna mais suscetível a doenças que afetam o sistema nervoso. É crucial entender que as crises epilépticas nem sempre se apresentam como convulsões visíveis; elas podem ser sutis e, por vezes, passar despercebidas. "Frequentemente, essas crises são focais, afetando uma área específica do cérebro, e seus sintomas podem ser confundidos com outros problemas ou até mesmo com lapsos de atenção", alerta Dr. Tullius.

Os sinais mais comuns de uma crise sutil incluem desligamentos breves, um olhar fixo, movimentos automáticos repetitivos e confusões passageiras. Esses episódios, muitas vezes, são desencadeados por fatores que integram a rotina e o estilo de vida das pessoas.

Comportamento e Equilíbrio Interno: Gatilhos da Epilepsia

O neurologista enfatiza que a privação de sono, o estresse crônico e o consumo excessivo de álcool estão entre os principais fatores comportamentais que podem deflagrar uma crise epiléptica. "Muitas crises ocorrem por um desequilíbrio interno do organismo, onde o corpo e a mente são levados ao limite por hábitos inadequados. Compreender e gerenciar esses gatilhos é um passo crucial para quem vive com a epilepsia", afirma.

Esperança e Acesso ao Tratamento

A boa notícia é que o tratamento adequado oferece uma perspectiva animadora: cerca de 70% dos pacientes podem alcançar a remissão das crises e levar uma vida plena. No Brasil, o sistema público de saúde disponibiliza uma variedade de medicamentos antiepilépticos, garantindo opções terapêuticas eficazes.

No entanto, Dr. Marcus Tullius aponta que o grande desafio permanece no acesso equitativo e no acompanhamento especializado contínuo. "Temos boas opções terapêuticas, mas é fundamental garantir que todos os pacientes, independentemente de sua condição socioeconômica ou localização geográfica, tenham acesso a esses recursos e ao suporte médico necessário para gerenciar a doença e viver com dignidade", conclui.

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